- CUIABÁ
- QUINTA-FEIRA, 15 , JANEIRO 2026


A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso (Sejus-MT) decretou intervenção administrativa na Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá, após a fuga de duas detentas ligadas à facção criminosa Comando Vermelho, ocorrida no último domingo (17).
Segundo nota oficial, a medida tem o objetivo de garantir a regularidade dos serviços operacionais e reforçar os protocolos de segurança interna da unidade prisional.
Com a intervenção, toda a diretoria do presídio foi substituída por uma nova equipe gestora, responsável por corrigir falhas estruturais e ampliar o controle disciplinar na penitenciária.
A Sejus informou ainda que o caso está sendo investigado pela Corregedoria-Geral da pasta e pela Polícia Civil, com o compromisso de total transparência.
“Os fatos ocorridos não têm justificativa. A Sejus não tolerará falhas nos processos de segurança e seguirá adotando medidas firmes para garantir a ordem, a disciplina e a integridade no Sistema Penitenciário”, afirmou a secretaria.
As investigações devem apurar responsabilidades administrativas e criminais dos envolvidos na ocorrência.
A fuga
As detentas Angélica Saraiva de Sá, de 34 anos, conhecida como Angeliquinha, e Jéssica Leal da Silva, de 36, apelidada de Arlequina, conseguiram escapar da unidade no domingo (17). Ambas são classificadas como de alta periculosidade e cumpriam penas por homicídio, tráfico de drogas e organização criminosa.
Angeliquinha é apontada como liderança do Comando Vermelho na região Norte de Mato Grosso e acumula condenações que ultrapassam 250 anos de prisão. Já Arlequina é da região de Juína e também responde por tráfico de drogas.
A Sejus reforçou que todos os mecanismos de segurança foram acionados para localizar as foragidas e proteger a integridade da população e dos servidores.
Críticas e denúncias
Antes mesmo da fuga, a Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May já era alvo de críticas por problemas estruturais e falta de efetivo, apontados como reflexos da fragilidade do sistema prisional estadual.
De acordo com o Sindicato dos Policiais Penais de Mato Grosso (Sindsppen-MT), a unidade opera com apenas nove agentes por plantão, responsáveis por vigiar mais de 500 internas, o que representa uma proporção considerada inaceitável diante das normas de segurança vigentes.
Entre os problemas estruturais relatados estão câmeras de monitoramento quebradas, falhas na iluminação e ausência de manutenção em pontos críticos da unidade.