quarta-feira, 20 - agosto 2025 - 14:50

Justiça manda religar radares; três seguem desligados em MT


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A Justiça Federal determinou que o Governo Federal reative os radares eletrônicos em rodovias federais de todo o país, que estão desligados desde 1º de agosto por falta de recursos. Atualmente, cerca de 4 mil pontos de fiscalização eletrônica espalhados por 45 mil quilômetros de estradas federais estão fora de operação, comprometendo a segurança viária em todo o território nacional.

Em Mato Grosso, os radares das BRs 070, 174 e 185 seguem inoperantes há vários dias, segundo o superintendente da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no estado, Arthur Nogueira. Por outro lado, os trechos de rodovias sob concessão, como as BRs 163 e 364, continuam com os equipamentos funcionando normalmente.

Corte orçamentário e impacto direto

O problema foi causado por um déficit orçamentário no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Para manter os radares ativos ao longo de 2025, o órgão precisava de R$ 364 milhões, mas teve acesso a apenas R$ 43 milhões do orçamento federal.

Apesar de decisões judiciais anteriores que já haviam determinado a manutenção da fiscalização eletrônica, o desligamento foi executado. A nova determinação judicial, assinada pela juíza Diana Wanderlei, da 5ª Vara Federal de Brasília, foi expedida em uma ação popular iniciada em 2019, após o então presidente Jair Bolsonaro anunciar o desligamento dos radares.

Na época, um acordo foi firmado com o governo para evitar a retirada dos equipamentos, considerado essencial para a prevenção de acidentes e controle da velocidade nas vias.

Infrações disparam sem radares

Em nota, o DNIT informou que, desde a paralisação dos equipamentos, a média de infrações de trânsito aumentou de forma significativa. Em uma amostragem de 201 faixas de rodovias, o número de infrações não multadas cresceu mais de 800% até 12 de agosto, demonstrando o impacto direto da ausência de fiscalização sobre a segurança nas estradas.

Com a decisão judicial mais recente, o DNIT deverá notificar as concessionárias e operadoras contratadas para manter os radares em funcionamento. O órgão foi intimado na noite de segunda-feira (18) e deverá cumprir a determinação em prazo estabelecido pela Justiça.

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