segunda-feira, 15 - setembro 2025 - 15:10

Pecuária e mineração aceleram desmatamento em MT


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Dados divulgados nesta segunda-feira (15) pelo MapBiomas revelam que a Amazônia perdeu quase 50 milhões de hectares de florestas nas últimas quatro décadas. O levantamento aponta Mato Grosso como um dos estados que mais pressionam o bioma, com apenas 62% da vegetação nativa preservada — a segunda menor proporção da Amazônia Legal, atrás apenas de Rondônia, com 60%.


Pecuária lidera avanço sobre a floresta

Entre 1985 e 2024, a área de pastagens na Amazônia aumentou 355%, saltando de 12,3 milhões para 56,1 milhões de hectares. Esse crescimento de 43,8 milhões de hectares consolidou a pecuária como principal vetor de desmatamento no bioma.

Em Mato Grosso, que possui o maior rebanho bovino do país, o impacto é evidente: grandes áreas de floresta foram convertidas em pastagens, posicionando o estado como protagonista na expansão da fronteira agropecuária. O levantamento mostra ainda que 83% de toda a área ocupada por atividades humanas hoje foi aberta nos últimos 40 anos.

Municípios localizados no chamado “arco do desmatamento” são os principais responsáveis pela abertura de novas áreas, especialmente para pastoreio extensivo.


Mineração cresce e pressiona áreas protegidas

O estudo também aponta que a mineração na Amazônia teve um crescimento exponencial. Em 1985, a atividade ocupava 26 mil hectares. Em 2024, já são 444 mil hectares, o que representa um aumento de quase 17 vezes em quatro décadas.

A expansão atinge principalmente estados produtores como Mato Grosso, onde o avanço de garimpos ilegais tem colocado sob ameaça terras indígenas e unidades de conservação. O relatório alerta que a tendência é de aumento dessa pressão, com impactos cumulativos e de difícil reversão.


Outros vetores de transformação

A agricultura também avançou no período, passando de 180 mil hectares em 1985 para 7,9 milhões em 2024. No entanto, a conversão direta de floresta para lavouras — principalmente de sojadiminuiu após a moratória de 2008, que restringe a aquisição de grãos oriundos de áreas recém-desmatadas na Amazônia.

Atualmente, a expansão da soja ocorre majoritariamente sobre áreas já desmatadas, como pastagens degradadas. Já atividades como a silvicultura, que cresceu mais de 110 vezes no período, e a própria mineração, vêm ganhando espaço no mosaico de pressões sobre o bioma.


Mato Grosso e o protagonismo na degradação

Com 62% de cobertura nativa preservada, Mato Grosso aparece entre os estados com maior pressão sobre a floresta amazônica, ao lado de Rondônia (60%), Tocantins (65%) e Maranhão (67%).

Os dados do MapBiomas mostram que o avanço da pecuária, da mineração e, em menor grau, da agricultura, coloca o estado em posição de destaque nas transformações ambientais recentes da Amazônia, que já perdeu 13% de sua vegetação nativa em apenas 40 anos.

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