- CUIABÁ
- QUARTA-FEIRA, 14 , JANEIRO 2026


Uma facção criminosa instalada em Aripuanã (1.002 km de Cuiabá) chegou a cobrar até 2% sobre a venda de ouro e áreas de garimpo, além de obrigar pessoas a bancarem cestas básicas distribuídas a famílias carentes como forma de punição ou assistencialismo financiado pelo tráfico. O esquema foi revelado pela Polícia Civil durante a Operação Primatus, deflagrada nesta terça-feira (16), para desarticular o grupo que também atuava em tráfico de drogas, homicídios, tortura e lavagem de dinheiro.
Segundo as investigações, a facção mantinha uma estrutura organizada, com integrantes responsáveis por aplicar castigos conhecidos como “salves”, julgar membros, controlar a qualidade de entorpecentes, realizar extorsões e até cobrar dívidas privadas, recebendo parte do valor recuperado.
Ao todo, foram cumpridas 62 ordens judiciais, sendo 26 mandados de prisão preventiva, 26 de busca e apreensão, quatro bloqueios de valores que podem chegar a R$ 1 milhão, quatro sequestros de veículos — entre eles uma I/RAM 3500, uma Toyota Hilux, um Chevrolet Camaro e uma Dodge Ram —, além da suspensão das atividades de duas empresas em Aripuanã.
A ação reuniu 80 policiais civis da GCCO, Draco, Delegacia de Aripuanã, Core, Ciopaer e regionais do interior. “A Operação Primatus nos possibilitou identificar, qualificar e entender a atuação dessa facção criminosa em Aripuanã. A maioria dos alvos já possui antecedentes criminais”, afirmou o delegado Rodrigo Azem, da Draco, responsável pela investigação.