sábado, 11 - outubro 2025 - 08:02

Mato Grosso tem mais de 1,1 milhão de inadimplentes


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O número de consumidores inadimplentes em Mato Grosso aumentou 0,81% entre agosto e setembro de 2025, alcançando 1,153 milhão de pessoas com contas em atraso — o equivalente a 44,22% da população do estado. Os dados são do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), analisados pelo Núcleo de Inteligência de Mercado da CDL Cuiabá.

A principal origem das dívidas segue sendo o sistema financeiro, responsável por 53% do total de pendências. Apenas entre agosto e setembro, o número de inadimplentes com bancos e instituições de crédito cresceu 0,86%, e, no comparativo com setembro de 2024, a alta é de 8,1%. Já as dívidas com o comércio apresentaram queda de 1,06% no mês e 11,41% no ano.

Apesar do aumento, o ritmo de crescimento da inadimplência no estado é inferior à média nacional e regional. Na comparação anual, Mato Grosso registrou alta de 7,7% no número de inadimplentes, enquanto o Centro-Oeste teve elevação de 8,16% e o Brasil, de 8,91%. Nos últimos 30 dias, 9.268 novos nomes foram incluídos no cadastro negativo do SPC.

Perfil do devedor e valor das dívidas

O estudo aponta que o perfil médio do devedor mato-grossense é de 43,6 anos, sendo os homens maioria (53,6%). A faixa etária entre 30 e 49 anos concentra 49,26% dos inadimplentes no estado — quase metade do total.

Cada inadimplente deve, em média, R$ 5.559,17, e o montante total de dívidas em aberto no estado chega a R$ 6,412 bilhões. O número médio de débitos por pessoa é de 2,31, somando 2,665 milhões de contas em atraso. O tempo médio de inadimplência é de 2,3 anos, com 37,19% dos consumidores nessa situação há entre um e três anos.

Alerta para crédito fácil e endividamento

O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Cuiabá (CDL Cuiabá), Junior Macagnan, alerta para a importância da organização financeira, especialmente diante do cenário de alta inadimplência.

“Saber o que entra e o que sai é o primeiro passo para combater o endividamento e recuperar o crédito”, afirma Macagnan.

Ele também chama atenção para o crédito consignado, cuja contratação se tornou mais acessível, mas pode comprometer significativamente o orçamento do consumidor.

“Como a contratação está cada vez mais facilitada, nem sempre o consumidor se atenta para o quanto do seu orçamento mensal será absorvido pelas parcelas. E essa é uma conta feita diretamente com o sistema financeiro”, destaca o presidente da CDL.

A Operação do SPC e o trabalho de análise da CDL buscam não apenas mapear o cenário atual da inadimplência, mas também orientar a população e os lojistas sobre práticas saudáveis de crédito e consumo.

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