- CUIABÁ
- QUARTA-FEIRA, 14 , JANEIRO 2026


As obras do sistema Bus Rapid Transit (BRT) em Cuiabá avançam pela Avenida Tenente-Coronel Duarte, conhecida como Prainha, e já alcançam a altura da Praça Ipiranga, no centro da capital. Executadas por trechos, as intervenções seguem um cronograma estabelecido pela Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra), com o objetivo de minimizar os impactos no tráfego e no comércio local. No entanto, com a aproximação das festas de fim de ano, comerciantes da região demonstram preocupação com a possível queda nas vendas.
Segundo a Sinfra, os trabalhos seguirão até fevereiro de 2026. Durante esse período, a concessionária Águas Cuiabá também realiza obras de drenagem na região, já que toda a água da chuva escoa em direção à Prainha, onde ainda há carência de bocas de lobo. As novas estruturas de drenagem estão sendo instaladas em paralelo à construção do corredor do BRT, em uma tentativa de reduzir os transtornos à população e aos lojistas.
O secretário-adjunto da Sinfra, Isaac Nascimento, destacou que não haverá interdições totais na via. As intervenções, segundo ele, serão pontuais e executadas de forma rápida. “Estamos atentos ao impacto no comércio. A proposta é manter os acessos abertos e evitar prejuízos nas vendas. O trânsito será liberado o mais rápido possível após cada etapa”, afirmou.
Nascimento explicou ainda que, embora o contrato permita a execução das obras até as 22h, o trabalho no período noturno deve ser evitado para não causar incômodo aos moradores da região. “Precisamos equilibrar a velocidade da obra com o direito ao descanso da população. Trabalhar à noite acelera o cronograma, mas o barulho pode afetar negativamente quem vive no entorno”, acrescentou.
O contrato atual tem prazo de 180 dias, com conclusão prevista para fevereiro de 2026, abrangendo o trecho que vai até a Ponte Júlio Müller. Ainda assim, o representante da Sinfra reconheceu que o segmento que cruza o Córrego da Prainha é considerado um ponto crítico e pode representar um risco ao cronograma. “Esse trecho é sempre uma incógnita”, pontuou.
Incertezas e desapropriações
Além dos transtornos no trânsito e no fluxo de clientes, alguns comerciantes ainda vivem sob incertezas quanto à desapropriação de imóveis. Na região do Morro da Luz, alguns prédios já foram desocupados e devem ser demolidos para o alargamento da pista. No entanto, empresários que ainda ocupam imóveis no local afirmam não ter recebido informações concretas sobre o futuro de seus pontos comerciais.
Com a previsão de avanço das obras para novos trechos da Prainha nas próximas semanas, a principal preocupação dos lojistas é que o cronograma de execução seja respeitado e que as vendas de fim de ano não sejam comprometidas — período considerado decisivo para a recuperação do comércio local.