terça-feira, 28 - outubro 2025 - 09:04

Mais de 1,7 mil processos denunciam falhas na saúde de MT


Mato grosso fica em 13º posição no ranking de estados com menos processos médicos registrados em 2025
Mato grosso fica em 13º posição no ranking de estados com menos processos médicos registrados em 2025

Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) apontam que Mato Grosso registrou 1.797 processos judiciais relacionados a falhas nos serviços de saúde entre janeiro e 30 de setembro de 2025. As ações envolvem erros médicos como falhas na identificação de pacientes, dosagem incorreta ou administração inadequada de medicamentos, equívocos cirúrgicos e problemas de comunicação entre equipes e pacientes.

Os números foram divulgados nesta segunda-feira (27) pela Sociedade Brasileira para a Qualidade do Cuidado e Segurança do Paciente (SOBRASP).

De acordo com o CNJ, o aumento dessas ações reflete a sobrecarga de trabalho dos profissionais da saúde e a falta de padronização de processos em hospitais e clínicas.

A doutora em Direitos Humanos e membro da SOBRASP, Aline Albuquerque, destacou que é importante analisar o contexto antes de responsabilizar os profissionais.

“É essencial compreender o contexto antes de atribuir culpa ao profissional”, afirmou.


Contexto nacional

No país, foram registrados 72.247 novos processos judiciais por danos materiais e morais relacionados à prestação de serviços de saúde no mesmo período. Os estados com maior número de casos foram São Paulo (8.863), Bahia (6.991) e Rio de Janeiro (6.721).

Mato Grosso ocupa a 13ª posição no ranking nacional, considerando os 26 estados e o Distrito Federal. Os casos registrados no estado representam 2,49% do total nacional.


Falhas no atendimento e riscos à vida

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), um em cada dez pacientes no mundo sofre algum tipo de dano decorrente de falhas no atendimento médico, o que resulta em cerca de 3 milhões de mortes por ano.

A entidade reforça que a segurança do paciente deve ser prioridade e que é fundamental garantir os direitos do paciente, entre eles:

  • direito à informação sobre seu tratamento;

  • direito ao consentimento informado;

  • direito de acesso ao prontuário médico;

  • e direito a um atendimento seguro e de qualidade.

No Brasil, o CNJ aponta que uma das principais dificuldades é o acesso ao prontuário médico, que pertence ao paciente. O órgão lembra que as informações de atendimento são sigilosas e só podem ser compartilhadas com terceiros mediante autorização expressa.


Plano Global de Ação para a Segurança do Paciente (2021–2030)

A OMS lançou o Plano Global de Ação para a Segurança do Paciente 2021–2030, com o objetivo de reduzir riscos, capacitar profissionais e envolver pacientes nas decisões sobre o próprio cuidado.

Entre as metas do plano estão:

  • Tornar o “dano evitável zero” uma meta global no atendimento à saúde;

  • Desenvolver sistemas de saúde confiáveis, que protejam pacientes de riscos diários;

  • Garantir segurança em todos os processos clínicos;

  • Envolver e capacitar pacientes e familiares para um cuidado mais participativo e seguro;

  • Qualificar e proteger os profissionais de saúde, valorizando o aprendizado e a cultura de segurança;

  • Assegurar fluxo contínuo de informações e conhecimento para reduzir falhas;

  • Estimular cooperação entre países e setores para aprimorar a qualidade e segurança do cuidado.


Baixo letramento em saúde e desigualdades

Estudos nacionais apontam que o letramento em saúde — a capacidade de compreender informações médicas e participar de decisões sobre o próprio tratamento — ainda é baixo e desigual no Brasil.

Pacientes com menor compreensão sobre sua saúde tendem a gastar até três vezes mais com despesas médicas. Fatores como baixa escolaridade e o uso de linguagem excessivamente técnica nos atendimentos dificultam o entendimento das orientações e o exercício pleno dos direitos dos pacientes.

(ranking no gráfico abaixo)

+