- CUIABÁ
- SEGUNDA-FEIRA, 12 , JANEIRO 2026


Nos últimos 15 anos, o mercado imobiliário de Cuiabá passou por uma valorização expressiva, mesmo sem alterações no valor venal dos imóveis desde 2010. O período registrou um verdadeiro “boom imobiliário”, caracterizado por forte alta nos preços, grande volume de transações, expansão da construção civil e aumento do crédito.
A realização da Copa do Mundo em 2014 impulsionou obras de infraestrutura, como viadutos e ampliação da malha viária, além de melhorias na distribuição de água, promovidas por concessões públicas fiscalizadas pelo município, fatores que também contribuíram para a valorização dos imóveis.
Bairros como Jardim Imperial, Jardim Itália, Morada do Ouro, Ribeirão do Lipa e Avenida Beira Rio registraram a construção de imóveis de médio e alto padrão. Segundo dados da Fecomércio-MT, em 2025, as regiões Oeste e Sul concentraram o maior número de imóveis vendidos, porém com menor valor médio, enquanto as regiões Leste e Norte apresentaram tickets mais altos e imóveis de padrão elevado.
Para corrigir distorções acumuladas nos últimos 15 anos, a Prefeitura de Cuiabá instituiu, em 4 de novembro, uma comissão para atualização do valor venal dos imóveis, que deverá concluir os trabalhos em até 30 dias. A iniciativa segue a Resolução 31/2012 do Tribunal de Contas do Estado (TCE), que determina a atualização anual dos valores venais para garantir cobranças justas de IPTU e ITBI, tributos que, juntamente com o ISSQN, financiam serviços essenciais, como educação, saúde e infraestrutura.
O secretário-adjunto da Receita, Thiago Semensato, explica que a atualização será pautada pela justiça fiscal e social. “O objetivo não é a majoração generalizada de tributos, mas a correção de distorções acumuladas. Alguns imóveis terão aumento, outros poderão ter redução, especialmente em áreas que não acompanharam o ritmo de valorização ou sofreram desvalorização. A atualização promove justiça fiscal e permite financiar serviços essenciais à população”, afirmou.
A comissão reúne representantes da Procuradoria-Geral do Município (PGM) e das secretarias municipais de Economia, Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano, Planejamento, Habitação e Regularização Fundiária, além de integrantes do CRECI, CREA, Sinduscon, Secovi, CDL, AccCuiabá e Abih-MT, garantindo legitimidade técnica e social ao processo.