- CUIABÁ
- TERÇA-FEIRA, 13 , JANEIRO 2026


O prefeito Abilio Brunini (PL) disse que o governo do Estado, a Polícia Militar e deputados da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) foram omissos em relação as ocupações na região do Contorno Leste. Segundo ele, quando as famílias começaram a chegar na região, nada foi feito.
Em entrevista à imprensa nesta terça-feira (2), o gestor reforçou que é contra invasões de propriedade, mas ponderou que não seria justo deixar de regularizar a área após diversas pessoas, especialmente em situação de vulnerabilidade, terem ocupado a área em busca de moradia.
“É importante dizer o seguinte: Não fui eu que fiz a invasão. Não foi na minha gestão. A invasão começou em 2023, início de 2023. Quando uma pessoa começa a invadir uma propriedade, o que que o proprietário faz? Chama polícia. Quem que devia ter impedido a invasão? A polícia militar do estado de Mato Grosso,” declarou Abilio Brunini.
A ocupação do Contorno Leste começou em outubro de 2022, ganhou força no início de 2023 e se transformou em um dos maiores conflitos fundiários recentes da Capital. A região já possui decisões judiciais de reintegração de posse, mas o processo permanece suspenso após a intervenção do Supremo Tribunal Federal.
A proposta de regularização anunciada no sábado (28) provocou críticas até mesmo de aliados políticos do prefeito, que afirmaram temer impactos jurídicos, eleitorais e urbanísticos. Para imprensa, Abilio declarou que a decisão do ministro Flávio Dino, que suspendeu temporariamente a remoção das famílias, não impede o processo de regularização e tampouco garante o direito de permanência definitiva.
Apesar das tratativas para regularização, a família de João Pinto, morto no local, foi à Câmara de Vereadores e negou interesse em vender sua parte do terreno. Em entrevista à imprensa, o gestor apontou falha na atuação imediata, que teria permitido a escalada do problema.
“Na hora que começaram a invadir, a polícia tinha que ter ido lá e tirado quem tava começando a invadir, não fez. Quem que deveria dar continuidade nesse processo? A Ordem Pública do Município de Cuiabá. Quem era o prefeito da época? Emanuel. Também não fez. Agora passou 3 anos. 3 anos. Construção já tem muita construção consolidada. Agora quer que eu chancele uma decisão de retirar pessoal de lá? Não, não vou fazer”, disse.
Abilio também criticou o governador Mauro Mendes (União Brasil) e deputados da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) por estarem cientes e, em alguns casos, envolvidos no apoio às ocupações.
“Eu vi uma fala do Mauro sobre esse assunto inclusive, é que ele não apoia invasão, eu também não apoio, mas a invasão aconteceu enquanto ele é governador. Em 2023 ele era governador, tinha passado do processo eleitoral. Os envolvidos naquele processo de invasão era o presidente da Assembleia Legislativa na época, Eduardo Botelho, Wilson Santos, o Barranco, outros deputados, eles estavam envolvidos lá, dando apoio na véspera da eleição, fizeram reunião lá”, disse.
O prefeito reforçou que a responsabilidade primária de impedir a invasão era do braço de segurança do Estado. “O Estado de Mato Grosso é 100% ciente disso. Em 2023, quando isso começou, o governo do estado de Mato Grosso foi omisso em impedir a invasão. Ele permitiu com a polícia militar que fizesse a invasão, pois a Polícia Militar tinha todo o direito de ir lá defender”, finalizou.
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