- CUIABÁ
- TERÇA-FEIRA, 13 , JANEIRO 2026


O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Max Russi (PSB), decidiu retirar da pauta, nesta quarta-feira (17), a votação da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026. A decisão foi tomada após o descumprimento, por parte da Casa Civil do governo Mauro Mendes (União), do acordo que previa o empenho de R$ 256,5 milhões referentes às emendas impositivas de 2025 ainda pendentes de pagamento.
Visivelmente contrariado, Max chegou a abrir a sessão plenária e suspendê-la por 15 minutos, à espera de uma resposta do Executivo. Sem qualquer sinalização, ao retomar os trabalhos, o presidente anunciou o adiamento da votação para a próxima semana. “Quero comunicar a todos os deputados que o orçamento não será votado hoje. Havia um compromisso firmado com a Casa Civil, e ele não foi cumprido. Diante disso, estou retirando o orçamento de pauta e a votação ocorrerá na próxima segunda-feira (22)”, afirmou.
O entendimento entre o Legislativo e o Executivo foi construído em reunião envolvendo deputados da base governista e o governador Mauro Mendes, com o objetivo de garantir a votação da LOA ainda neste ano. O acordo incluía o empenho das emendas impositivas em atraso e a revisão de uma emenda que reduziu de 20% para 5% a margem de abertura de créditos suplementares pelo Executivo sem autorização da Assembleia. A proposta era elevar esse percentual para algo entre 10% e 15%.
Em troca, o governo se comprometeu a não questionar judicialmente a emenda que obriga o Executivo a pagar, até julho de 2026, ao menos 50% das emendas impositivas, além de empenhar o restante.
A pressa do governo em aprovar o orçamento ainda em 2025 tem forte peso político-eleitoral. Mauro Mendes pretende disputar uma vaga no Senado Federal e precisa deixar o cargo até 4 de abril de 2026. Sem a LOA aprovada, o Executivo ficaria limitado na execução orçamentária, o que poderia travar novos investimentos, obras e convênios com os municípios nos primeiros meses do próximo ano.
Durante o anúncio de Max Russi, o líder do governo na ALMT, deputado Dilmar Dal Bosco (União), não se manifestou nem questionou a decisão.