- CUIABÁ
- TERÇA-FEIRA, 13 , JANEIRO 2026


O prefeito de Sorriso, Alei Fernandes (União), avalia que a Ferrogrão deve finalmente sair do papel em 2026, após mais de uma década marcada por entraves técnicos e jurídicos. Segundo ele, a expectativa é que o edital da primeira etapa da ferrovia seja lançado nos próximos meses, o que pode representar um divisor de águas para a logística e a competitividade do agronegócio no norte de Mato Grosso.
Ao comentar o avanço de outros projetos ferroviários no Estado, Alei afirmou que a tendência é de expansão dos trilhos para acompanhar o crescimento da produção. “O futuro é a ferrovia. O trem vai onde a carga está, e a carga está subindo”, declarou. Ele citou a ampliação da Ferronorte em direção a Primavera do Leste, Cuiabá e Nova Mutum, além da Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico), que liga Mara Rosa (GO) a Água Boa (MT) e tem previsão de avançar até Santiago do Norte e Sorriso.
De acordo com o prefeito, o governo federal deve lançar, possivelmente em setembro de 2026, o edital da primeira fase da Ferrogrão, no trecho entre Sinop (MT) e Miritituba (PA), com posterior extensão até Sorriso e Lucas do Rio Verde. As declarações foram feitas ao Jornal da Capital, nesta segunda-feira (15).
A Ferrogrão prevê a construção de 933 quilômetros de trilhos ligando Sinop aos portos fluviais de Miritituba, no Pará, e pode ter um desfecho definitivo em 2026, após 14 anos de discussões. Pelo cronograma atualizado do Ministério dos Transportes, o edital de concessão está previsto para junho do próximo ano, com leilão marcado para setembro. O projeto encontra-se na fase final de elaboração na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e deve ser encaminhado ainda em dezembro ao Tribunal de Contas da União (TCU).
O investimento estimado para a implantação da ferrovia é de R$ 33,3 bilhões, enquanto os custos operacionais ao longo do contrato de concessão devem chegar a R$ 103,8 bilhões. A Ferrogrão terá bitola larga de 1,60 metro, concessão de 69 anos e capacidade de transportar até 66 milhões de toneladas por ano quando estiver em plena operação.
Apesar do avanço, o projeto segue cercado de controvérsias desde que foi anunciado, em 2012. Questionamentos sobre viabilidade econômica e impactos socioambientais, especialmente pelo fato de o traçado atravessar 49 quilômetros do Parque Nacional do Jamanxim, no Pará, retardaram o andamento da proposta. Em 2016, uma lei alterou os limites do parque para viabilizar a ferrovia, mas a medida foi contestada pelo PSOL no Supremo Tribunal Federal (STF), por meio de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade.
O julgamento foi interrompido após pedido de vista do ministro Flávio Dino. Diante disso, o governo federal reformulou o projeto, retirando a supressão da área do parque, mas mantendo o traçado dentro da faixa de domínio da BR-163, que já corta o Jamanxim. A União demonstra confiança em um desfecho favorável e, inclusive, planeja um road show internacional no início de 2026 para apresentar o projeto a investidores.
Para Alei Fernandes, a Ferrogrão é estratégica para garantir maior rentabilidade ao produtor rural da região. “Nosso sonho é ter a ferrovia para sermos mais competitivos. O produtor precisa produzir e ter lucro, e a logística é o principal fator para isso”, afirmou.