sábado, 3 - janeiro 2026 - 00:00

Segurança não aceita término com a ex e mata filho de 2 anos após divulgar 'carta de despedida' em MT


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ALLAN MESQUITA 
Reportagem

O segurança Rairo Andrey Borges, de 21 anos, foi preso após matar o próprio filho, Davi Lucca da Silva Lemos, de 2 anos e 5 meses, por não aceitar o fim do relacionamento com a ex-companheira e mãe da criança, em Sorriso (420 km de Cuiabá) na noite desta sexta-feira (2). O jovem ainda compartilhou uma carta e tentou contra própria vida, mas acabou sendo preso.

De acordo com as primeiras informações apuradas pelo FatoAgora, o segurança estava sozinho com a criança dentro da residência no momento do crime. A principal suspeita é de que o menino tenha sido morto por asfixia. A vítima chegou a ser socorrida e encaminhada para o Hospital Regional, mas o óbito acabou sendo confirmado.

A ocorrência foi atendida inicialmente pela Polícia Militar do 3º Comando Regional, após vizinhos notarem uma movimentação estranha dentro da casa. No endereço, os policiais constataram que o homem já havia sido socorrido e encaminhado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da cidade. Testemunhas relataram que estranharam a falta de resposta do morador após ouvirem barulhos vindos do interior do imóvel. Diante da situação, vizinhos arrombaram a porta da residência, que estava trancada com cadeado.

Dentro do imóvel, composto por apenas um cômodo e um banheiro, a criança foi encontrada deitada sobre a cama. No local, também foi localizada uma carta de despedida.

A mãe da criança relatou à polícia que estava separada do suspeito há cerca de duas semanas e que ele havia tomado conhecimento recentemente de um novo relacionamento, passando a enviar mensagens demonstrando irritação. Segundo ela, o homem afirmou que devolveria o filho apenas no domingo. Horas depois, ela foi informada de que a criança havia sido levada ao hospital.

Na UPA de Sorriso, o segurança recebeu voz de prisão por uma equipe da Polícia Militar. Durante uma entrevista preliminar, ele apresentou falas desconexas ao ser questionado sobre os fatos.

Após receber alta médica, Rairo foi encaminhado à Delegacia de Polícia Civil, onde permanece à disposição da Justiça. O caso segue sob investigação.

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O conteúdo da carta deixada pelo suspeito aponta que ele estava emocionalmente abalado após descobrir que a mulher com quem mantinha vínculo familiar estaria se relacionando com outra pessoa próxima de seu convívio. Segundo o próprio texto, a situação teria destruído qualquer expectativa de reconstrução da família.

“Hoje quando tive a certeza, meu mundo foi abaixo, porque eu ainda tinha esperança de recuperar minha família”, escreveu.

Na mensagem, Rairo afirma que a decisão foi tomada de forma consciente e pede que ninguém seja responsabilizado pelo ocorrido. Ele solicita perdão à mãe, à irmã, ao pai, a familiares e amigos, e descreve o filho como “tudo” em sua vida.

“Levei meu filho comigo porque ele era tudo pra mim e eu não ia conseguir continuar vendo ela com outra pessoa, principalmente alguém que eu conheço”, diz outro trecho da carta.

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