sábado, 3 - janeiro 2026 - 15:53

Parlamentares conservadores de MT celebram ação dos EUA contra Maduro


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Lideranças da direita de Mato Grosso, especialmente parlamentares bolsonaristas da ala conservadora, comemoraram a captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e da primeira-dama, Cilia Flores, após uma operação militar determinada pelo presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, na madrugada deste sábado (3). A medida gerou forte repercussão política no Brasil e dividiu posicionamentos entre lideranças da direita e o Palácio do Planalto.

A informação foi divulgada por Trump em publicação nas redes sociais e repercutida por veículos internacionais e pela imprensa brasileira. Segundo o presidente norte-americano, a ofensiva teria envolvido ataques aéreos e terrestres em Caracas e outras cidades venezuelanas.

No Estado, o vereador por Cuiabá Rafael Ranalli (PL) publicou uma imagem que, segundo ele, mostraria o momento da captura e comemorou o anúncio. “2026 começando com os dois pés! Parabéns @realdonaldtrump! Enfim o ditador vai pagar pelo que fez. #VenezuelaLibre”, escreveu.

O deputado estadual Gilberto Cattani (PL) também celebrou a declaração de Trump. Em vídeo divulgado nas redes sociais, afirmou “Grande dia!” e disse que “a Justiça chegou”, ao comentar que, para aqueles que acreditavam na inércia dos Estados Unidos, o desfecho anunciado mostraria o contrário.

Já o deputado federal Nelson Barbudo (PL) afirmou que a situação da Venezuela não poderia mais ser tratada como normal. “Anos de opressão, miséria e perseguição ao próprio povo não podem mais ser tratados como algo normal. A reação dos Estados Unidos mostra que a paciência internacional acabou. Ditadura não é soberania, é crime contra o povo”, declarou.

O deputado federal Coronel Assis (União) também se manifestou e afirmou que há comemoração popular, mesmo que tímida, na capital venezuelana. “O povo venezuelano em Caracas comemorando a captura do ditador Nicolás Maduro. Não há ainda manifestações públicas nas ruas pois o forte aparato de segurança e repressão do regime continua ativo nas mãos de Diosdado Cabello e do general Padrino López”, disse.

Lula condena ação e cobra ONU

Em posição oposta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se pronunciou na manhã deste sábado e condenou duramente a ofensiva anunciada pelos Estados Unidos. Em publicação nas redes sociais, Lula classificou a ação como uma violação grave da soberania venezuelana.

“Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”, afirmou.

Lula também comparou o episódio a períodos históricos de intervenção externa na América Latina e cobrou uma resposta das Nações Unidas. “A comunidade internacional, por meio da Organização das Nações Unidas, precisa responder de forma vigorosa a esse episódio. O Brasil condena essas ações e segue à disposição para promover a via do diálogo e da cooperação”, completou.

Governo venezuelano reage

Após o anúncio de Trump, o ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino, rejeitou qualquer presença de tropas estrangeiras no país e classificou a ofensiva como “vil e covarde”. Ele também solicitou apoio da comunidade internacional.

Trump acusa Maduro de liderar uma organização criminosa ligada ao tráfico internacional de drogas. O presidente venezuelano, por sua vez, nega reiteradamente as acusações e afirma ser alvo de perseguição política, recorrendo a organismos internacionais para contestar as denúncias.

Até o momento, não houve confirmação independente das informações divulgadas pelo governo norte-americano sobre a suposta captura de Maduro e de sua esposa.

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