- CUIABÁ
- SEGUNDA-FEIRA, 12 , JANEIRO 2026


Os gêmeos siameses mato-grossenses Marcos e Mateus nasceram na manhã desta terça-feira (6), em Goiânia, em um procedimento considerado de alta complexidade pela equipe médica do Hospital Estadual da Mulher (HEMU). Naturais de Canarana (651 km de Cuiabá), os bebês vieram ao mundo após a família percorrer cerca de 600 quilômetros até a capital goiana em busca de atendimento especializado.
Segundo os médicos, os irmãos nasceram unidos pelo tórax, abdômen e região da bacia. O caso é classificado como isquiópagos trípodes, uma condição rara em que os gêmeos compartilham três pernas, a mesma genitália e apresentam anomalia anorretal. De acordo com o cirurgião pediátrico Zacharias Calil, trata-se de um dos quadros mais desafiadores da especialidade. “É o caso mais complexo que acompanhamos, ficando atrás apenas dos gêmeos unidos pela cabeça”, explicou a TV Anhanguera.
O parto exigiu planejamento detalhado e atenção redobrada da equipe multiprofissional. Após o nascimento, Marcos e Mateus foram encaminhados para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal, onde permanecem sob monitoramento constante. A expectativa médica é de que, nas próximas 36 horas, os bebês sejam submetidos a uma cirurgia de colostomia para garantir o funcionamento adequado do intestino.
Conforme Zacharias Calil, essa primeira intervenção é fundamental para a estabilização clínica dos gêmeos e faz parte da preparação para uma futura cirurgia de separação. O procedimento definitivo deve ocorrer quando os irmãos tiverem entre oito meses e um ano de vida, período considerado mais seguro para uma operação desse porte.
A obstetra Jéssica Alencar, que participou do parto, destacou que, apesar da complexidade, o procedimento ocorreu de forma controlada. “O parto foi tranquilo. Apenas a retirada aconteceu de uma maneira um pouco diferente do que esperávamos, o que gera tensão no momento, mas a paciente estava bem orientada desde o pré-natal, o que contribuiu para que tudo transcorresse da melhor forma possível”, relatou.
O caso segue sendo acompanhado de perto pela equipe médica, que avalia diariamente a evolução clínica dos recém-nascidos e os próximos passos do tratamento.