- CUIABÁ
- SEGUNDA-FEIRA, 12 , JANEIRO 2026


Muito além da picanha e do filé mignon que tradicionalmente representam o Brasil no exterior, a pecuária mato-grossense vem chamando atenção por um produto pouco conhecido do grande público, mas cada vez mais valorizado fora do país. Trata-se do pênis bovino, conhecido no setor como vergalho, um subproduto que encontrou mercado cativo principalmente na Ásia e passou a integrar a pauta de exportações do Estado.
O item, que no mercado interno é comercializado por cerca de R$ 21 o quilo, pode alcançar valores expressivos no comércio internacional. Em destinos como Hong Kong, a tonelada do vergalho bovino chega a custar até US$ 6 mil. Exportado na forma in natura, o produto segue protocolos sanitários rigorosos, semelhantes aos exigidos para os cortes tradicionais da carne.
Segundo o gerente de marketing da indústria SulBeef, Alan Gutierrez, a demanda pelo subproduto é constante. “A comercialização do vergalho in natura é contínua, com volume médio mensal entre quatro e cinco toneladas”, afirma. Para ele, a regularidade das vendas confirma que se trata de um mercado consolidado, sustentado por hábitos culturais e culinários específicos.
Na gastronomia asiática, especialmente em regiões que valorizam o aproveitamento integral do animal, o vergalho é utilizado em pratos cozidos, ensopados e receitas típicas. A textura diferenciada e a capacidade de absorver temperos e caldos tornam o produto atrativo, garantindo uma procura estável por partes bovinas pouco consumidas no Ocidente.
Para o diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade, esse cenário revela uma faceta estratégica da pecuária estadual. “Mato Grosso tem uma pecuária robusta, eficiente e cada vez mais alinhada às exigências internacionais. A capacidade de acessar diferentes mercados, inclusive para subprodutos, mostra o nível de organização da cadeia produtiva e o potencial do estado em agregar valor em todas as etapas”, destaca.
Ao diversificar o portfólio e atender mercados com diferentes perfis de consumo, o setor amplia a rentabilidade, reduz desperdícios e fortalece a economia. “Quando ampliamos o portfólio e atendemos mercados com diferentes perfis de consumo, fortalecemos a economia, reduzimos riscos e aumentamos a competitividade da carne produzida em Mato Grosso no cenário global”, reforça Andrade.