- CUIABÁ
- SEXTA-FEIRA, 27 , FEVEREIRO 2026
O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, afirmou nesta segunda-feira (26) que a Europa deve “continuar sonhando” caso acredite ser capaz de se defender sem o apoio dos Estados Unidos. A declaração foi feita durante discurso no Parlamento Europeu, em Bruxelas, em meio ao debate sobre a autonomia militar do continente.
“Se alguém ainda pensa que a União Europeia, ou a Europa como um todo, pode se defender sem os EUA, continue sonhando. Vocês não podem. Nós não podemos. Precisamos uns dos outros”, disse Rutte.
O chefe da aliança militar alertou que, caso os países europeus decidam buscar uma defesa totalmente independente, os custos seriam extremamente elevados. Segundo ele, seria necessário elevar os gastos com defesa para cerca de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) e ainda desenvolver uma capacidade nuclear própria, o que demandaria investimentos de bilhões de euros.
“Nesse cenário, vocês perderiam a garantia máxima da nossa liberdade, que é o guarda-chuva nuclear dos Estados Unidos. Então, boa sorte”, afirmou.
As declarações ocorrem após uma semana de tensão entre países europeus e aliados ocidentais, marcada por novas manifestações do presidente norte-americano, Donald Trump, em defesa da anexação da Groenlândia pelos Estados Unidos.
Apesar da controvérsia, Rutte elogiou Trump por levantar o debate sobre a segurança no Ártico, mesmo reconhecendo que sua posição pode gerar desconforto entre líderes europeus. “Acho que ele está certo. Há uma questão envolvendo a região do Ártico. Trata-se de segurança coletiva, já que as rotas marítimas estão se abrindo e chineses e russos estão cada vez mais ativos”, afirmou.
Groenlândia e o Ártico
Sobre a Groenlândia, Rutte afirmou que haverá duas frentes de atuação nos próximos meses. A primeira prevê um maior envolvimento da Otan na defesa coletiva do Ártico, com o objetivo de conter a expansão da presença militar e econômica da Rússia e da China na região.
A segunda linha de ação envolve a continuidade das discussões trilaterais entre Estados Unidos, Dinamarca e Groenlândia. O secretário-geral ressaltou que não participará dessas reuniões, afirmando não ter mandato para negociar em nome da Dinamarca.
No início do mês, os ministros das Relações Exteriores da Dinamarca e da Groenlândia se reuniram em Washington com o vice-presidente dos EUA, JD Vance, e o secretário de Estado, Marco Rubio. Após o encontro, o chanceler dinamarquês classificou as conversas como “construtivas”, embora tenha reconhecido a existência de uma “divergência fundamental” entre as partes.
Na semana seguinte, Trump e Rutte se encontraram durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. Na ocasião, o presidente norte-americano anunciou a existência de uma estrutura de acordo relacionada à Groenlândia e recuou da ameaça de impor tarifas a países europeus contrários ao plano de anexação.
Os detalhes do acordo ainda não foram divulgados, assim como o papel exato de Rutte nas negociações. Ainda assim, a mudança de postura de Trump voltou a colocar o secretário-geral da Otan no centro do debate sobre segurança europeia e relações transatlânticas.