terça-feira, 27 - janeiro 2026 - 17:07



Sem água e comida, caminhoneiros de MT ficam mais de uma semana na fila para descarregar soja no PA


Reprodução
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THIAGO RAFAEL
Reportagem

Caminhoneiros de Mato Grosso que seguem com cargas de soja para os portos de Miritituba, no sudoeste do Pará, enfrentam uma situação crítica marcada por longas filas, falta de infraestrutura básica e ausência de informações oficiais. Há relatos de motoristas que aguardam há mais de uma semana para conseguir descarregar.

A fila de caminhões já ultrapassa 40 quilômetros de extensão, provocando congestionamento severo e impactando diretamente a rotina, a segurança e as condições humanas dos trabalhadores que dependem do escoamento da produção agrícola.

Entre os motoristas afetados está Márcio Ferreira da Silva, de 47 anos, morador de Sinop (500 km de Cuiabá), que transporta soja e afirma estar há oito dias parado na fila, sem previsão para descarregamento.

“Estou há oito dias na fila e ainda não consegui descarregar. Aqui está tudo parado, sem informação e sem apoio. Já falta água, comida e a situação está ficando muito difícil”, relatou em um vídeo recebido pelo FatoAgora.

Segundo os caminhoneiros, a precariedade da comunicação agrava ainda mais o cenário. O sinal de internet é instável, o que dificulta o contato com familiares, empresas transportadoras e até pedidos de ajuda. Muitos motoristas estão acompanhados de familiares, incluindo mulheres e crianças, o que aumenta a preocupação diante da falta de condições mínimas no local.

Além do tempo excessivo de espera, os relatos apontam desgaste físico, emocional e financeiro. Motoristas afirmam que os recursos estão se esgotando enquanto não há presença de autoridades para prestar esclarecimentos ou adotar medidas emergenciais.

“Já acabou água, já acabou comida, o dinheiro está acabando e até a esperança está indo embora. Tem colega que nem chegou ainda perto do ponto de descarga”, afirmou outro caminhoneiro que também aguarda na fila.

Diante da ausência de respostas, os trabalhadores recorreram aos meios de comunicação como forma de dar visibilidade à situação e buscar apoio das autoridades competentes. Eles pedem providências urgentes para a organização do fluxo, ampliação da capacidade de atendimento e ações emergenciais que garantam dignidade e segurança aos caminhoneiros.

Enquanto isso, dezenas de veículos permanecem parados nas rodovias de acesso aos portos de Miritituba, evidenciando gargalos logísticos que afetam não apenas os motoristas, mas toda a cadeia de escoamento da produção agrícola do país.


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