- CUIABÁ
- QUARTA-FEIRA, 11 , FEVEREIRO 2026
Um estudo internacional conduzido por astrônomos da Austrália, Reino Unido, Estados Unidos e Dinamarca identificou um novo planeta do tamanho da Terra com cerca de 50% de chance de estar localizado na zona habitável de sua estrela. O planeta está a aproximadamente 146 anos-luz de distância do Sistema Solar e foi descrito em artigo publicado nesta semana na revista científica Astrophysical Journal Letters.
Batizado de HD 137010 b, o astro ainda é classificado como um planeta candidato, mas apresenta características consideradas promissoras. De acordo com os pesquisadores, ele orbita uma estrela semelhante ao Sol, porém menos brilhante e mais fria, o que faz com que suas condições climáticas se assemelhem às de Marte. Estimativas indicam que a temperatura média da superfície pode ser inferior a -70 °C.
A descoberta foi feita a partir da análise de dados coletados em 2017 por uma missão do telescópio espacial Kepler, da NASA. O planeta foi detectado pelo método de trânsito, quando passou brevemente em frente à sua estrela, provocando um leve escurecimento observado pelos instrumentos. Inicialmente, o sinal foi identificado por cientistas cidadãos, incluindo um estudante do ensino médio, e posteriormente confirmado por equipes de astrônomos de diferentes países.
Segundo a pesquisadora Chelsea Huang, da Universidade do Sul de Queensland, uma das autoras do estudo, a proximidade relativa do planeta torna a descoberta especialmente relevante. “O que é realmente empolgante nesse planeta do tamanho da Terra é que sua estrela está a cerca de 150 anos-luz do nosso sistema solar. O próximo melhor planeta em zona habitável ao redor de uma estrela semelhante ao Sol está cerca de quatro vezes mais distante e é muito mais fraco”, explicou.
Outro ponto de destaque é a órbita do HD 137010 b, que dura aproximadamente 355 dias — bastante próxima dos 365 dias do ano terrestre. Para os cientistas, essa semelhança reforça o interesse científico no planeta, apesar de ele ainda estar em fase de confirmação.
Em análise publicada no The Guardian, a astrofísica Sara Webb, da Universidade de Swinburne, que não participou da pesquisa, classificou a descoberta como “empolgante”. Ela ressaltou, no entanto, que mesmo sendo relativamente próximo em termos galácticos, uma viagem até o planeta levaria dezenas ou até centenas de milhares de anos com a tecnologia atual.
Os pesquisadores afirmam que novas observações serão necessárias para confirmar definitivamente a existência do planeta e aprofundar o estudo de suas características atmosféricas e de habitabilidade.
