- CUIABÁ
- SEXTA-FEIRA, 27 , FEVEREIRO 2026
O governador Mauro Mendes (União) já iniciou as tratativas para negociar a escolha de seus suplentes em uma eventual disputa ao Senado neste ano. As conversas, que envolvem projeção eleitoral, composição da chapa majoritária e alinhamento político do grupo, começaram com o presidente do Conselho Fiscal da Nova Rota do Oeste, Cidinho Santos (PP), apontado como possível primeiro suplente. A reportagem apurou que o encontro ocorreu neste mês.
A movimentação é mais um indicativo da intenção de Mendes de deixar o comando do Palácio Paiaguás no fim de março para disputar uma vaga no Senado. Durante agendas recentes na região do Araguaia, também foi cogitada a indicação do secretário de Estado de Fazenda, Rogério Gallo, como segundo suplente. Apesar disso, o governador mantém o discurso público de que ainda não decidiu seu futuro político e que a definição ocorrerá apenas em março.
A escolha de Cidinho Santos não é novidade dentro do grupo político de Mauro Mendes. Ex-senador, Cidinho é considerado o braço-direito do governador na articulação política e foi um dos responsáveis pela aliança entre Mendes e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nas eleições de 2022. No cenário atual, ele também atua como elo do governo estadual com lideranças nacionais.
Cidinho já ocupou a primeira suplência do ex-senador Blairo Maggi (PP) entre 2011 e 2018, assumindo o mandato em 2016, quando Maggi deixou o Senado para comandar o Ministério da Agricultura no governo Michel Temer.
Outros suplentes e candidaturas
Não é apenas Mauro Mendes que vem costurando negociações para a formação de chapas ao Senado. A deputada estadual Janaina Riva (MDB) convidou o ex-presidente da Aprosoja de Mato Grosso, Fernando Cadore, para ser seu suplente, proposta que ainda está em análise. Outro nome do agronegócio sondado por Janaina é o produtor rural Ilson Redivo, presidente do Sindicato Rural de Sinop.
Já o deputado federal José Medeiros (PL), que também se lança como pré-candidato ao Senado, mantém conversas com o produtor rural Odílio Balbinoti Filho, bolsonarista e um dos principais doadores de campanha em Mato Grosso em 2022. Balbinoti chegou a colocar o nome à disposição do PL para disputar o governo do Estado, mas acabou recuando.
O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro (PSD), por sua vez, ainda não revelou publicamente suas articulações, mas deverá discutir a escolha de suplentes com lideranças do agronegócio, como Blairo Maggi e Eraí Maggi. Situação semelhante ocorre com o ex-presidente da Aprosoja Antônio Galvan (DC), que tenta viabilizar uma aliança com o PL para disputar ao lado de Medeiros, embora ainda não tenha detalhado possíveis nomes para suplência.
Tradicionalmente, as vagas de suplente são utilizadas como instrumento de negociação política para viabilizar alianças partidárias. Um exemplo é o senador Wellington Fagundes (PL), que teve como primeiro suplente Mauro Carvalho (PRD), à época filiado ao União Brasil e ex-braço-direito de Mauro Mendes, indicação que selou a aliança eleitoral em 2022. Já Carlos Fávaro teve como primeira suplente Margareth Buzetti (PP) na eleição de 2018, quando ainda integrava o grupo político do governador.