sábado, 31 - janeiro 2026 - 06:22



Combinação de remédios elimina câncer pancreático experimental


Saúde/Metrópoles
celulas-cancerigenas
celulas-cancerigenas

Pesquisadores espanhóis identificaram uma nova estratégia capaz de eliminar completamente tumores associados ao câncer de pâncreas em testes com animais. A abordagem foi baseada na combinação de três medicamentos e levou à regressão total dos tumores, evitando também a resistência ao tratamento, que é um dos principais obstáculos da oncologia atualmente.

O estudo foi publicado em dezembro de 2025 na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) e teve como líder o oncologista Mariano Barbacid, diretor do Grupo de Oncologia Experimental do Centro Nacional de Pesquisa Oncológica da Espanha (CNIO).

De acordo com os pesquisadores, os tumores desapareceram em modelos diferentes de camundongos entre três e quatro semanas depois do início do tratamento. Mesmo depois de mais de 200 dias sem o uso dos medicamentos, os animais continuaram livres da doença e não apresentaram efeitos colaterais significativos.

Como a terapia funciona

A nova abordagem funciona combinando três medicamentos que bloqueiam, ao mesmo tempo, vias diferentes que são usadas pelas células tumorais para crescer e sobreviver. Os três remédios fazem um “ataque” aos mecanismos centrais do câncer de pâncreas.

Um dos compostos atua sobre o oncogene KRAS, que é uma alteração genética presente na maioria dos casos da doença e é considerado o principal gatilho do desenvolvimento do tumor. Os outros dois medicamentos inibem as proteínas EGFR e STAT3, que fazem a comunicação interna das células cancerígenas e estimulam a multiplicação.

Câncer de pâncreas, uma doença agressiva e silenciosa

O câncer de pâncreas está entre os tumores mais agressivos justamente porque costuma se desenvolver de forma silenciosa. No começo, é bem raro que a doença provoque sintomas específicos, o que dificulta ainda mais o diagnóstico precoce.

Caso apareçam sinais como dor abdominal, perda de peso ou icterícia, na maioria das vezes, o tumor já está em estágio avançado. Mais de 90% dos diagnósticos são do tipo adenocarcinoma, um subtipo que se desenvolve nas células que produzem as enzimas digestivas.

Esse subtipo cresce rápido e há poucas opções de tratamento eficaz, com uma taxa alta de mortalidade associada à doença. No Brasil, dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) mostram que, embora represente cerca de 1% dos diagnósticos de câncer, o câncer de pâncreas é responsável por aproximadamente 5% das mortes pela doença.

Próximos passos

Apesar dos resultados animadores, os próprios pesquisadores afirmam que a terapia ainda está em fase experimental. O próximo desafio vai ser adaptar e refinar os compostos para que eles possam ser testados com segurança em humanos.

Um dos pontos que chamou a atenção da equipe é o fato da regressão tumoral ter ocorrido sem a participação do sistema imunológico, o que sugere que a estratégia pode funcionar até mesmo em pacientes que estão com a imunidade comprometida.

Mesmo que a equipe reconheça que o caminho até o uso clínico “não será simples”, eles avaliam que os achados abrem uma nova perspectiva para ampliar as opções de tratamento e melhorar a vida de pacientes com um dos cânceres mais letais atualmente.

 


Entre no nosso canal do Whatsapp e receba noticias em tempo real. Clique Aqui
+