sábado, 31 - janeiro 2026 - 15:37



AVENTURAS E PAISAGENS EMOCIONANTES

Bielorrusso que percorreu 34 mil km de bike pelo Brasil passa por MT e relata 'cara a cara' com onça


Allan Mesquita / Da Redação
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Com a mochila nas costas, sacolas presas à bicicleta e mais de 34 mil quilômetros já percorridos pelo Brasil, o bielorrusso Sérgio Buzo, 41 anos, conhecido como CicloThor, pedala pelo coração de Mato Grosso, transformando estradas, cidades e paisagens brasileiras em capítulos de uma jornada épica que já atravessou 27 estados e conquistou milhares de seguidores nas redes sociais.

A travessia começou em São Paulo e já se estendeu por mais de  326 dias pedalando, passando por lugares emblemáticos e enfrentando desafios de todos os tipos. Sérgio ganhou notoriedade nacional após ser perseguido por uma onça no Amazonas, episódio que viralizou nas redes sociais e também lhe rendeu o apelido de “cara da onça”.

Nascido na Bielorrússia, cuja capital é Minsk, no Leste Europeu, Sérgio Buzo já tinha experiência em viagens de bicicleta por outros países da América do Sul, mas a chegada ao Brasil coincidiu com o início da pandemia, quando diversas fronteiras estavam fechadas. Diante disso, ele decidiu adaptar seus planos e se dedicar a explorar todas as regiões do Brasil, transformando o país em seu principal cenário de aventuras sobre duas rodas.

“Já tinha um pouco de experiência viajando em outros países de bike. Queria pedalar pela América do Sul, mas cheguei ao Brasil no início da pandemia e outros países estavam fechados. Então mudei os planos e resolvi viajar pelo Brasil inteiro”, contou Sérgio em entrevista ao FatoAgora.

O ciclista bielorrusso entrou no estado pela BR-364, na divisa com Rondônia, iniciando sua aventura pelo território mato-grossense. Até agora, ele já passou por Cuiabá, Cáceres, Chapada dos Guimarães, Campo Verde e Primavera do Leste, saindo de Rondonópolis na última terça-feira (27) para retornar à Capital.

“Pedalar aqui não é muito difícil, não tem muitas subidas, e as estradas em sua maioria são boas. Em algumas cidades fui muito bem recebido, e o suporte das pessoas é incrível”, disse Sérgio.

Ele também destacou a Chapada dos Guimarães como um dos pontos mais belos de Mato Grosso que conheceu, onde aproveitou as cachoeiras da região. “Chapada é um lugar lindo, especialmente gostei do lado sul, onde a terra é mais plana e baixa. Mas também tem lindas cachoeiras espalhadas pelo caminho”, disse.

Apesar das paisagens deslumbrantes, nem tudo é sempre é tranquilo. No dia 17 de janeiro, Sérgio foi agredido por dois rapazes que tumultuavam um bar em Primavera do Leste, perdeu o celular e acabou sendo detido. Ele lamentou o episódio nas redes sociais, mas disse que não vai deixar que o incidente interrompa sua jornada.

Até agora, ele já percorreu mais de 900 km no estado, passando por cidades e estradas que chamam a atenção por sua beleza natural e também pela logística ciclística. “Ainda tenho muitos lugares para conhecer, especialmente o norte do estado e Porto Jofre”, comentou.

Rotina na estrada e desafios da viagem

Sérgio leva consigo algumas sacolas e suprimentos essenciais para a viagem que vão penduradas na bicicleta. Ele compartilhar diariamente sua rotina e os lugares por onde passa em suas redes sociais, que já reúnem mais de 38 mil seguidores. A vida na estrada exige disciplina, resistência e flexibilidade.

“Normalmente pedalo 100 km por dia ou mais, dependendo do que quero visitar. Se não tem muitos lugares interessantes à frente, posso pedalar até 200 km em um dia. Não acordo muito cedo: pedalo pela manhã, descanso no almoço e depois volto à estrada nas horas mais quentes. Se preciso percorrer mais distância, continuo à noite”, explicou.

Antes de iniciar sua aventura de bicicleta pelo Brasil, Sérgio Buzo se preparou financeiramente trabalhando e economizando para custear alimentação, hospedagem básica e suprimentos durante a viagem. Após percorrer 2,5 anos pelo país, ele fez uma pausa no interior do Ceará para descansar e trabalhar novamente, garantindo recursos para dar continuidade à jornada.

“Antes de viajar, trabalhei e guardei dinheiro para me manter, comprar comida e às vezes parar em hotéis baratos. Depois de 2,5 anos no Brasil, fiz uma pausa no interior do Ceará para descansar e trabalhar antes de continuar a viagem. Agora, meu Instagram mostra meus vídeos para todos, e isso me permitiu mudar os planos e continuar viajando”, afirmou.

Quanto à hospedagem, Sérgio mistura barracas com o apoio de moradores locais. “Antes, ficava mais na barraca, mas agora, em Mato Grosso, como mais pessoas me conhecem, acabo dormindo menos em barraca. Ainda assim, há trechos onde não há outras opções para dormir”.

Questionado se já se apaixonou ou se teme se apegar a alguém nos lugares por onde passa, Sérgio Buzo foi direto ao responder. “Tem bastante lugares bons. Apaixonei para quê? Para viver lá? Não”, disse o ciclista, ressaltando que, apesar das experiências marcantes ao longo do caminho, seu foco continua sendo a estrada e a continuidade da viagem.

Momentos marcantes e situações de risco

Entre os inúmeros desafios da viagem, Sérgio Buzo destaca um episódio que marcou sua aventura: o encontro com uma onça no BR-319, no Amazonas. Ele precisou se afastar rapidamente para garantir sua segurança. Apesar do susto, ele ressalta que, para um ciclista na estrada, situações de risco podem ser ainda mais comuns: o trânsito intenso, com carros e caminhões passando muito próximos e acostamentos irregulares, exige atenção constante e cautela diária.

“O momento mais emocionante que vivi foi quando encontrei uma onça no BR-319, no Amazonas. Gritei bastante para assustá-la, mas no final tive que correr do lugar. Mesmo assim, acredito que situações mais perigosas acontecem na estrada: passo o dia inteiro pedalando e carros e caminhões passam muito perto, muitas vezes sem acostamento adequado”, disse.

Veja o vídeo:

Apesar de ter passado quase 5 anos no Brasil, a viagem de Sérgio ainda não acabou. Ele planeja explorar regiões ainda desconhecidas e aproveitar cada paisagem que o país tem a oferecer. E

“Agora quero viajar pelos lugares lindos que ainda não conheci. O Brasil tem muito a mostrar, e minha bicicleta é meu passaporte para essas experiências”, concluiu.


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