segunda-feira, 2 - fevereiro 2026 - 11:41



Justiça mantém prisão de investigador suspeito de estuprar detenta em MT


INVESTIGAÇÃO
Reprodução
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A Justiça manteve preso, durante audiência de custódia realizada nesta segunda-feira (2), o investigador da Polícia Civil Manoel Batista da Silva, de 52 anos, detido no domingo (1º) por suspeita de estuprar uma mulher de 25 anos que estava presa na Delegacia de Sorriso, a 420 km ao norte de Cuiabá. O caso tramita em segredo de Justiça.

A decisão foi confirmada pela delegada Laísa Crisóstomo de Paula Leal, responsável pela investigação. Segundo ela, em razão do sigilo judicial, não é possível divulgar detalhes sobre o andamento do inquérito nem confirmar se há apuração de outros casos até o momento.

A prisão preventiva foi solicitada após exames periciais apontarem a presença de material genético do investigador no corpo da vítima. A denúncia do crime teria sido registrada há cerca de 50 dias. Com a ordem judicial, equipes da Polícia Civil foram até a residência do servidor, no bairro Jardim Aurora, onde cumpriram o mandado e recolheram os pertences funcionais, como arma de fogo e munições.

Em manifestação encaminhada ao Poder Judiciário no dia 31 de janeiro, o promotor de Justiça Luiz Fernando Rossi Pipino classificou a conduta do investigador como um “desvio moral profundo” e afirmou que o caso compromete a credibilidade do sistema de justiça criminal. “A delegacia de polícia, que deveria ser um espaço de proteção institucional, foi transformada em cenário de violência sexual”, escreveu.

O promotor destacou ainda que o crime teria sido cometido com abuso da função pública. “Não foi apenas estupro. Foi estupro cometido com abuso do aparato estatal”, afirmou, ao ressaltar que a vítima estava sob custódia do Estado, em situação de total vulnerabilidade, sem possibilidade de fuga ou pedido de socorro.

Para o Ministério Público, a conduta do investigador representa uma ruptura grave da confiança mínima que sustenta a atuação do Estado. “Quem transforma uma delegacia de polícia em cenário de estupro não pode aguardar o julgamento em liberdade”, pontuou o promotor ao defender a manutenção da prisão preventiva.

A Corregedoria-Geral da Polícia Civil acompanha o caso e aguarda o recebimento dos autos do inquérito para adoção das medidas administrativas cabíveis. Em nota, a Polícia Civil de Mato Grosso afirmou que não tolera desvios de conduta entre seus servidores e que todas as denúncias são apuradas com rigor e transparência.


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