- CUIABÁ
- QUARTA-FEIRA, 11 , FEVEREIRO 2026
O uso de Inteligência Artificial (IA) nas redes sociais para a criação e disseminação de imagens sexualizadas de policiais femininas tem chamado a atenção das autoridades de Segurança Pública. Nos últimos dias, diversas páginas passaram a compartilhar conteúdos que associam, de forma falsa, mulheres a cargos policiais e a situações de cunho sexual.
Entre os casos identificados, circulou a imagem de uma mulher loira, com aparência atraente, vestindo uma blusa semelhante à da Polícia Civil, sem identificação de estado, fazendo uma selfie. Ao lado dela, apareceria um homem supostamente conduzindo uma viatura. A imagem, gerada ou manipulada por IA, foi associada a um vídeo de teor sexual gravado dentro de um carro, acompanhado da legenda: “Delegada é flagrada dentro de um carro com parceiro de farda em rua escura”.
Outros perfis replicaram a mesma imagem, alterando apenas os títulos, mas mantendo a narrativa de que uma suposta delegada estaria envolvida em relações íntimas com um colega durante o expediente. Na mesma rede social, também foram identificadas publicações com expressões como “Barbie da PM” e legendas de cunho sexual atribuídas a imagens de mulheres supostamente policiais.
As imagens foram borradas, uma vez que não há confirmação de que se tratem de pessoas reais. Parte do material pode ter sido totalmente gerada ou alterada por ferramentas de Inteligência Artificial.
Investigações em andamento
Embora as imagens aparentem ser fictícias — o que, em tese, pode afastar a tipificação penal direta —, a prática gera constrangimento às corporações e caracteriza sexualização indevida de mulheres, afetando a imagem institucional das forças de segurança. O caso motivou a abertura de investigações, e algumas contas já foram suspensas com base no Marco Civil da Internet, que prevê a responsabilização de usuários e provedores por conteúdos que violem direitos civis, como a criação de perfis falsos ou material difamatório.
Além das medidas judiciais, plataformas digitais, como a Meta, possuem diretrizes próprias que proíbem a criação de contas com informações falsas ou conteúdos destinados a constranger terceiros.
Criação de perfis falsos
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) informou que atua de forma permanente no enfrentamento a crimes digitais, incluindo aqueles que envolvem o uso indevido de tecnologias avançadas, como a Inteligência Artificial. A corporação conta com a Delegacia Especializada na Repressão a Crimes Cibernéticos (DRCC) e com uma divisão pericial no Instituto de Criminalística capacitada para lidar com tecnologias baseadas em IA.
Segundo a PCDF, todas as delegacias estão aptas a apurar crimes digitais conforme a natureza dos fatos, e os policiais civis recebem capacitação contínua, por meio da Escola Superior de Polícia, especialmente em temas relacionados a crimes cibernéticos e novas tecnologias.
A instituição orienta que qualquer pessoa que se sinta lesada ou tenha conhecimento de situações envolvendo uso indevido de imagem, criação de perfis falsos ou manipulação de conteúdo digital procure a Polícia Civil para registrar ocorrência, inclusive por meio de denúncia anônima, garantindo a adequada apuração dos fatos.