- CUIABÁ
- TERÇA-FEIRA, 3 , FEVEREIRO 2026
Defesa da detenta estuprada pelo investigador da Polícia Civil Manoel Batista da Silva, de 52 anos, revelou que a vítima estava presa por engano quando sofreu os abusos na Delegacia de Sorriso (420 km de Cuiabá). O acusado está preso após um laudo pericial confirmar a presença de seu material genético na vítima.
De acordo com a defesa da vítima, os abusos ocorreram por 4 vezes, entre a noite de 9 de dezembro e o amanhecer do dia seguinte. O investigador teria retirado a mulher da cela em quatro ocasiões distintas, levando-a para uma sala vazia na unidade policial.
Para garantir o silêncio, o servidor utilizava um método de tortura psicológica: a ameaça de morte contra a filha da vítima, ainda menor de idade. “Ele ordenou que ela ficasse em silêncio sob a ameaça de matar a filha dela”, afirmou o advogado Walter Rapuano.
Prova técnica e prisão
A investigação, conduzida pela delegada Layssa Crisóstomo, utilizou a ciência para romper a palavra do agressor contra a da vítima. O material genético colhido na perícia foi confrontado com o de todos os policiais de plantão. O resultado foi positivo apenas para Manoel Batista.
Apesar da gravidade, a Polícia Civil informou que, até o momento, não surgiram novas denúncias de outras presas contra o investigador. Ele permanece detido após audiência de custódia realizada no último domingo (1º).
O erro que precedeu o abuso
A vítima estava na delegacia após ser apontada como participante de um homicídio. Na ocasião, um motorista de aplicativo afirmou que ela estava no veículo usado no crime. No entanto, o “erro” do sistema foi corrigido tarde demais:
A cronologia do erro administrativo revela que a detenção da mulher ocorreu no dia 8 de dezembro, por meio de um mandado de prisão temporária. No entanto, sua inocência em relação a esse crime específico foi comprovada pouco tempo depois, quando imagens de câmeras de segurança mostraram que ela não era a pessoa envolvida no assassinato investigado. Apesar dessa constatação, a soltura oficial só foi concretizada no dia 11 de dezembro, o que permitiu que ela permanecesse sob a custódia do agressor por tempo suficiente para sofrer a série de estupros iniciada dois dias antes de ganhar a liberdade.
O delegado Bruno França justificou a prisão inicial baseada no depoimento do motorista, mas admitiu que a revogação foi pedida por “precaução” após as contradições aparecerem.
Novo pedido
O caso ganha uma nova camada de complexidade com a informação do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). Nove dias após ser libertada da prisão injusta pelo homicídio, a justiça expediu um novo mandado de prisão contra a mulher. Desta vez, ela é investigada por suposto envolvimento com facções criminosas e tortura. Este mandado ainda não foi cumprido.
A Polícia Civil segue investigando a conduta do investigador no âmbito administrativo e criminal, enquanto a defesa de Manoel Batista da Silva ainda não foi localizada para comentar o teor das acusações.