terça-feira, 10 - fevereiro 2026 - 15:20



FOGO CRUZADO

Veja vídeo completo e transcrição de embate entre Abilio e Maysa na Câmara


Allan Mesquita / Da Redação
Maysa e Abilio – Allan Mesquita
Maysa e Abilio – Allan Mesquita

O clima esquentou na Câmara Municipal de Cuiabá na manhã desta terça-feira (10), quando o prefeito Abilio Brunini (PL) e a vereadora Maysa Leão (Republicanos) protagonizaram um bate-boca público durante uma entrevista à imprensa, em meio a acusações cruzadas envolvendo investigações, uso de recursos públicos e denúncias contra integrantes da gestão municipal.

O estopim da confusão foi uma entrevista concedida por Abilio na Câmara, na qual ele comentava a movimentação de vereadores para a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o ex-chefe de gabinete da Prefeitura, William Leite, exonerado do cargo em meio a denúncias de suposta improbidade administrativa e abuso sexual contra uma servidora.

Durante a entrevista, o prefeito afirmou que havia “seletividade” por parte do Legislativo ao cobrar investigações envolvendo seu ex-auxiliar, ao mesmo tempo em que, segundo ele, casos envolvendo vereadores não receberiam o mesmo rigor. Nesse contexto, Abilio citou o vereador Chico 2000 (PL), alvo da Operação Gorjeta, e fez menções diretas à vereadora Maysa Leão, ao Instituto Lírios e ao episódio em que a parlamentar foi acusada de expor uma adolescente vítima de abuso sexual durante uma audiência pública na Câmara, caso que acabou arquivado pelo Ministério Público Estadual (MPE).

“Eu percebo que há uma indignação seletiva. Quando a vereadora Maysa trouxe uma pessoa para uma exposição aqui na Câmara, essa pessoa estava acolhida pelo Instituto Lírios, que é presidido por uma mulher que foi coordenadora de campanha da Maysa. Essa pessoa foi colocada na exposição, sentada à mesa da Câmara e também na tribuna”, citou.

Ao tomar conhecimento das declarações, Maysa deixou a sessão e foi até a sala de entrevistas, onde interrompeu a fala do prefeito e exigiu explicações. O que se seguiu foi um bate-boca prolongado, com acusações, cobranças e troca de frases duras diante de jornalistas por cerca de 8 minutos.

Abilio sustentou que o Legislativo estaria sendo conivente com determinados parlamentares e citou o Instituto Lírios, entidade que atua no acolhimento de mulheres e crianças vítimas de violência e que, segundo ele, recebeu cerca de R$ 4 milhões em recursos do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), comandado pelo ministro Carlos Fávaro (PSD). O prefeito também afirmou que a presidente do instituto teria sido coordenadora da campanha de Maysa, levantando questionamentos sobre possível uso político da entidade.

A vereadora reagiu de forma contundente, acusando o prefeito de fazer ilações sem provas, de tentar desviar o foco das denúncias envolvendo seu ex-chefe de gabinete e de promover violência política de gênero. Em diversos momentos, Maysa cobrou que Abilio apresentasse provas ou levasse eventuais denúncias aos órgãos de controle, como o Ministério Público.

Clima de confronto político

No bate-boca desta terça-feira, Abilio insistiu em questionar a relação entre Maysa, o Instituto Lírios e os recursos federais recebidos, enquanto a vereadora reforçou que o projeto citado, “Elas na Agricultura”, foi um edital nacional, executado em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), e que não há qualquer irregularidade.

Em tom exaltado, Maysa acusou o prefeito de atacar uma instituição que atua há mais de uma década no acolhimento de vítimas de violência e afirmou que ele será processado pelas declarações feitas.

A discussão só foi encerrada após vários minutos, após assessores do prefeito e da parlamentar intervirem. Abilio afirmou que foi interrompido, enquanto Maysa reiterou que não admitiria ter seu nome usado sem provas.

Transcrição do bate-boca

Maysa Leão: Eu gostaria de saber o que o senhor falou a respeito do meu nome, de uma assessora minha. Fale aqui na minha frente.

Abilio: Falei que a coordenadora do Instituto Lírios foi sua coordenadora de campanha.

Maysa: Fala nome.

Abilio: Foi ou não foi sua coordenadora de campanha?

Abilio: Não foi você que trouxe a menina [vítima de estupro] e colocou ela na tribuna?

Maysa: Hãn?

Abilio: Você sabia que ela era menor de idade?

Maysa: Não sabia que ela era de menor idade. Fui absolvida pelo Ministério Público.

Maysa: O senhor conhece a pessoa que está citando, ela foi sua apoiadora na campanha de 2020. Foi candidata a vereadora na sua chapa. Defendeu o seu nome. É sua eleitora.

Abilio: Coordenou sua campanha?

Maysa: Coordenou minha campanha em 2022. Não estava na Lírios em 2022.

Abilio: Ela é presidente do Instituto?

Maysa: É presidente.

Abilio: Ela que trouxe a pessoa?

Maysa: Não, ela não trouxe a pessoa.

Abilio: A pessoa que estava junto com você é acolhida pelo instituto?

Maysa: É acolhida pelo instituto.

Abilio: Você visivelmente percebeu que ela era menor de idade.

Maysa: Não percebi. Você visivelmente supõe que eu percebi. Você está fazendo ilações diante da imprensa.

Abilio: Você percebeu que ela era menor de idade?

Maysa: Lógico que não. Por isso estava munido de uma procuração.

Maysa: Você está falando da maior instituição de acolhimento de vítimas de violência do Estado de Mato Grosso.

Abilio: O instituto recebeu recurso do Ministério da Agricultura e Pecuária?

Maysa: Recebeu. Recebeu no projeto ‘Elas na Agricultura’.

Abilio: Tem algumas fotos dela com você viajando no interior do Estado.

Maysa: Você não viu. A presidente do Instituto não faz parte desse projeto.

Abilio: Eu tenho todo direito de questionar.

Maysa: Não, você não pode.

Abilio: Ela vai coordenar sua campanha?

Maysa: Não. Desde que ela assumiu o instituto, você não viu a Muriel Torres viajando comigo.

Maysa: Você a conhece. Ela foi sua apoiadora. Subiu no palanque e falou ‘Vote Abilio Brunini’.

Abilio: Ela assumiu o instituto?

Maysa: Depois de 2022, em 2023. A Lírios já atendeu mais de 30 mil crianças e mulheres.

Maysa: Para de fazer ilações.

Abilio: Ela assinou o contrato com o Mapa?

Maysa: Não.

Abilio: Assinou. Está no Portal da Transparência.

Maysa: Tem alguma improbidade? Você está dizendo que ela é corrupta?

Abilio: Eu não estou dizendo isso.

Maysa: Você está dizendo que eu sou corrupta?

Abilio: Ela trouxe a menina para a mesa da qual você estava presidindo.

Maysa: Você está mentindo. Prova o que você está falando.

Abilio: O ECA autoriza menor a subir na tribuna?

Maysa: Você está mentindo.

Maysa: Me fala do seu chefe de gabinete. Ele assediou?

Abilio: Vai ser feita toda a investigação.

Maysa: Isso é violência política de gênero.

Abilio: Você invadiu uma entrevista.

Maysa: Você falou de mim.

Maysa: Se você sabe de um ilícito, vá ao Ministério Público. Não fale mais de mim.


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