- CUIABÁ
- QUINTA-FEIRA, 12 , FEVEREIRO 2026
O governador Mauro Mendes (União) afirmou que o Governo de Mato Grosso não tolera qualquer prática criminosa dentro da estrutura pública, ao comentar o caso do investigador da Polícia Civil Manoel Batista da Silva, de 52 anos, indiciado por estupro e abuso de autoridade contra uma detenta na delegacia de Sorriso (420 km de Cuiabá).
Questionado sobre as providências adotadas pelo Estado, o governador foi categórico ao afirmar que medidas já foram tomadas e que não há proteção a servidores que cometam irregularidades.
“O governo do Estado já fez. O governo do Estado não compactua com nenhum tipo de ilegalidade, com nenhum tipo de transgressão à lei ou de moralidade. Se alguém, seja um cidadão comum ou seja um agente público, não importa se for policial, militar, civil. Quem cometer algum crime, ele vai ser processado e vai ser responsabilizado na forma da lei. Nós não compactuamos com nenhum tipo de crime, sob hipótese alguma”, disse nesta quarta-feira (11).
O caso veio à tona na primeira quinzena de dezembro de 2025, após a Delegacia de Sorriso receber requisição do Ministério Público relatando que uma mulher custodiada na unidade teria sido abusada sexualmente por um investigador enquanto estava presa por força de mandado de prisão temporária pelo crime de homicídio.
Diante da denúncia, foi instaurado inquérito policial. Durante as investigações, foram ouvidas detentas que dividiam cela com a vítima, policiais plantonistas e o próprio servidor apontado como suspeito. Também foram solicitados exames periciais, incluindo confronto de material genético.
O laudo apontou compatibilidade genética entre o material biológico coletado da vítima e o do investigador. Com base nas provas reunidas, a Polícia Civil representou pela prisão preventiva do servidor, além de mandados de busca e apreensão e quebra de sigilo telefônico.
A prisão foi cumprida no último domingo (1º de fevereiro). O policial foi encaminhado à Cadeia Pública de Chapada dos Guimarães, após audiência de custódia. A Corregedoria-Geral da Polícia Civil instaurou procedimento administrativo disciplinar para apurar a conduta funcional.
Em nota, a Polícia Civil informou que não tolera desvios de conduta e que todos os casos envolvendo servidores são apurados com rigor. A delegada-geral Daniela Maidel classificou o episódio como isolado e reforçou que a instituição não compactua com práticas criminosas de seus integrantes.
A vítima do estupro havia sido presa por suspeita de envolvimento em um homicídio em Sorriso. Posteriormente, a Polícia Civil representou pela revogação da prisão temporária para que ela respondesse em liberdade até a conclusão do inquérito. No entanto, ela teve novo mandado de prisão preventiva expedido pelos crimes de tortura e organização criminosa e encontra-se foragida.
O caso segue sob investigação e tramita na Justiça.