- CUIABÁ
- QUARTA-FEIRA, 25 , FEVEREIRO 2026
O presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso, Sérgio Ricardo, criticou duramente a condução das obras do Bus Rapid Transit (BRT) em Cuiabá e classificou a situação como “caos total”. Segundo ele, a combinação de falhas no planejamento e o impacto das chuvas recentes escancararam problemas na execução do projeto.
Nos últimos dias, temporais provocaram alagamentos em vias estratégicas da Capital e paralisaram frentes de trabalho em trechos considerados críticos para o fluxo viário. Regiões como a Prainha e o Porto, onde estão sendo realizados serviços de canalização, tiveram as atividades interrompidas, agravando os transtornos no trânsito.
Em declaração feita na manhã desta quarta-feira (25), nos corredores da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, o conselheiro afirmou que a obra já teria começado de forma equivocada. “Começou mal, sem projeto definido, houve atraso e agora a situação é de desorganização. Estive no local e vi equipamentos cobertos por lona, tudo alagado e sem trabalhadores atuando”, relatou.
Sérgio Ricardo destacou que o período chuvoso nos primeiros meses do ano é previsível em Mato Grosso e deveria ter sido considerado no cronograma. Para ele, a falta de preparo comprometeu a execução. “Qualquer obra no estado precisa levar em conta o regime de chuvas. O planejamento foi mal feito e isso está evidente”, pontuou.
Um dos principais pontos afetados é a Avenida Tenente-Coronel Duarte, conhecida como Prainha, no Centro da Capital, que segue totalmente interditada para intervenções no sistema de drenagem e correção de erosões antigas sob o asfalto. Já na Avenida do CPA, há bloqueios parciais para a passagem de equipamentos subterrâneos, especialmente no trecho próximo às lojas da Havan e ao supermercado Comper, no sentido Centro.
As críticas ocorrem em meio a um cenário de fortes chuvas que atingiram Cuiabá desde o último fim de semana. De acordo com a Defesa Civil Municipal, o volume ultrapassou 100 milímetros em alguns pontos da cidade, causando alagamentos, transbordamento de córregos e a invasão de ao menos 12 residências. Unidades de saúde como a UPA Leblon e o antigo Pronto-Socorro Municipal também registraram pontos de alagamento, mas os atendimentos foram mantidos após ações emergenciais das equipes de infraestrutura.
O Tribunal de Contas informou que continua monitorando a execução do BRT e deve acompanhar os desdobramentos das obras diante dos novos atrasos.