- CUIABÁ
- TERÇA-FEIRA, 3 , MARÇO 2026
O Tribunal do Júri da Comarca de Sorriso condenou, na última quinta-feira (27), Alison Antônio Silva Vieira e Washington Luiz Matias Sanches pelo homicídio qualificado e ocultação de cadáver de Eleandro Brandino, conhecido como “Profeta”. Somadas, as penas chegam a 54 anos de reclusão em regime inicialmente fechado — 27 anos para cada réu.
O Crime e a Motivação
O assassinato ocorreu entre os dias 17 e 18 de janeiro de 2024. Segundo os autos, a vítima foi capturada e submetida a um “tribunal do crime” em uma área de mata às margens da BR-163, a mando da facção criminosa Comando Vermelho (CV).
A motivação seria uma represália: a organização acreditava que Eleandro estaria atuando como informante para a facção rival, o Primeiro Comando da Capital (PCC), e planejando emboscadas contra membros do CV.
Crueldade e Ocultação
A execução foi marcada pela brutalidade. Após ser agredido com arma branca e decapitado, Eleandro teve o corpo e a cabeça enterrados em covas distintas para dificultar o trabalho da perícia. À época do crime, dois adolescentes (de 14 e 16 anos) foram apreendidos, confessaram a participação e indicaram à Polícia Militar o local exato da ocultação.
Tese da Acusação
Os promotores Fabison Miranda Cardoso e Eduardo Antônio Ferreira Zaque, do Grupo de Atuação Especial no Tribunal do Júri (GAEJúri), sustentaram que a vítima foi executada em cenário de total vulnerabilidade.
“A decisão reafirma que, em Mato Grosso, não há espaço para execuções sumárias nem para a tentativa de impor um regime paralelo de justiça”, destacou o promotor Eduardo Zaque após a sentença.
O Conselho de Sentença acatou integralmente as qualificadoras apresentadas pelo Ministério Público:
Motivo torpe (disputa entre facções);
Meio cruel (sofrimento extremo);
Recurso que dificultou a defesa da vítima.