- CUIABÁ
- TERÇA-FEIRA, 10 , MARÇO 2026
O prefeito de Brasnorte (590 km de Cuiabá), Edelo Ferrari (União), vibrou a decisão do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) que manteve seu mandato e o da vice-prefeita Roseli Borges (PSB) após um processo de cassação por suposto esquema de compra de votos. Em entrevista ao FatoAgora, o gestor afirmou que o município estava “um pouco travado” enquanto aguardava o desfecho da ação eleitoral que poderia afastá-lo do cargo.
Com o julgamento concluído, ele afirmou que a gestão poderá avançar em novos projetos. “Quando a gente passa por um processo desse, queira ou não queira o município fica um pouco travado. E agora destravou”, disse.
A Corte formou maioria, por 4 votos a 3, para afastar a cassação da chapa majoritária nas eleições municipais de 2024. O prefeito agradeceu aos advogados e apoiadores e afirmou que respeita a decisão da Justiça Eleitoral.
“Parabenizo nossos advogados também, todos os apoiadores que sempre estiveram do nosso lado nos momentos bons e nos momentos ruins. E com certeza parabenizo a equipe do TRE, que tomou a decisão da melhor maneira que eles acharam que deveria ser tomada”, declarou.
O prefeito também destacou que, além da decisão judicial, o município recebeu novos equipamentos e veículos ao longo da semana, resultado de parcerias com os governos estadual e federal e com parlamentares. “Essa semana foi só notícia boa. Primeiro foi o nosso processo que se encerrou e, graças a Deus, ficaremos no cargo. Depois recebemos veículos, caminhões, ônibus escolares do Governo do Estado, caminhão-pipa do governo federal e tratores que chegaram para ajudar no trabalho do município”, afirmou.
De acordo com Edelo, três tratores foram destinados ao município por meio de articulação política com os deputados Juarez Costa (MDB) e Dilmar Dal Bosco (União).
Entenda o caso
O processo analisado pelo TRE apurou acusações de abuso de poder econômico e compra de votos nas eleições municipais de 2024 em Brasnorte. A ação foi movida pelo Ministério Público Eleitoral e citava suposto esquema envolvendo transferência de domicílio eleitoral de indígenas da etnia Enawenê-Nawê, transporte irregular de eleitores e distribuição de vantagens, como dinheiro, combustível, alimentos e frangos congelados.
Em primeira instância, a Justiça Eleitoral havia cassado os diplomas do prefeito, da vice e do vereador Gilmar Celso Gonçalves, além de determinar a realização de novas eleições após confirmação da decisão por órgão colegiado.
No julgamento do recurso, no entanto, a maioria dos magistrados entendeu que não havia provas suficientes de participação direta ou anuência do prefeito e da vice nas irregularidades, afastando a cassação da chapa majoritária.
Apesar disso, o tribunal manteve a cassação do vereador Gilmar Celso Gonçalves e confirmou sanções contra outros investigados no processo, incluindo a nulidade dos votos atribuídos ao parlamentar e a retotalização para a vaga na Câmara Municipal.