sexta-feira, 13 - março 2026 - 13:20



RENATO NERY

Morte de advogado custou R$ 215 mil em Cuiabá; compra de veículo de luxo ‘entrega’ mandantes


Da Readação
Renato Nery
Renato Nery

O rastreamento de aproximadamente R$ 215 mil em transferências bancárias levou a Polícia Civil a identificar os mandantes, intermediários e executores do assassinato do advogado Renato Nery, morto a tiros em julho de 2024, em Cuiabá. A informação foi confirmada pela Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que concluiu que o crime foi encomendado mediante pagamento.

Segundo as investigações, a descoberta ocorreu após quebra de sigilo bancário autorizada pela Justiça, que permitiu aos investigadores seguir o caminho do dinheiro utilizado para pagar a execução do advogado. As análises financeiras revelaram uma série de transferências e movimentações fracionadas feitas para ocultar a origem e o destino final dos valores.

De acordo com a Polícia Civil, a investigada apontada como mandante do crime realizou, em 4 de março de 2024, transferências que somaram cerca de R$ 200 mil. O dinheiro passou inicialmente por contas de terceiros, em uma sequência de operações consideradas suspeitas pelos investigadores.

Durante a análise, a polícia também identificou que um dos investigados evitou receber o dinheiro diretamente em sua conta, determinando que os valores fossem movimentados por intermediários. Parte do montante foi utilizada, no dia 5 de março de 2024, para comprar um veículo Mercedes-Benz avaliado em aproximadamente R$ 115 mil, registrado em nome de outra pessoa.

Ainda no mesmo dia, R$ 40 mil foram transferidos para a conta da mãe do investigado, enquanto o restante do dinheiro acabou sendo encaminhado posteriormente para a própria conta dele, no dia seguinte.

As investigações apontaram ainda que, em 8 de março, a investigada apontada como mandante realizou um pagamento direto de R$ 15 mil ao mesmo homem, totalizando cerca de R$ 215 mil movimentados em razão do crime.

Conforme a DHPP, o valor identificado nas transações coincide com os depoimentos prestados pelos envolvidos, que afirmaram que a execução do advogado teria sido negociada por cerca de R$ 200 mil.

Além do rastreamento financeiro, um dos investigados prestou depoimento no dia 12 de março, confirmando a dinâmica do pagamento pelo homicídio, o que reforçou as provas já levantadas pela análise bancária.

A Polícia Civil também apontou que o investigado utilizou intermediários e movimentações fracionadas para ocultar a origem do dinheiro, o que, segundo os investigadores, caracteriza indícios do crime de lavagem de dinheiro — prática de esconder ou disfarçar a origem ilícita de recursos.

Diante do conjunto de provas, que inclui o fluxo financeiro, depoimentos e outras diligências investigativas, a polícia concluiu que o caso se trata de homicídio qualificado por mando, quando alguém paga para que outra pessoa cometa o crime.

O crime

Renato Nery tinha 72 anos e foi baleado no dia 5 de julho de 2024, em frente ao seu escritório, em Cuiabá. Ele chegou a ser socorrido e passou por cirurgia em um hospital particular da capital, mas não resistiu aos ferimentos e morreu horas depois.

Desde a ocorrência, a DHPP realizou diversas diligências investigativas, incluindo levantamentos técnicos e perícias, para esclarecer a execução do advogado.


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