- CUIABÁ
- SÁBADO, 28 , MARÇO 2026
Mato Grosso deve registrar cerca de 250 novos casos de câncer de colo do útero por ano, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA). O número acompanha a tendência nacional: no Brasil, são mais de 19 mil novos diagnósticos anuais previstos até 2028.
Apesar de ser uma doença altamente prevenível, o câncer de colo do útero ainda está diretamente ligado à baixa cobertura vacinal contra o HPV e à falta de exames de rotina.
A cirurgiã oncológica Dra. Danielly Gobbi, especialista em oncoginecologia do Hospital Santa Rosa, explica que a principal causa da doença é a infecção persistente pelo vírus HPV, bastante comum e, na maioria das vezes, silencioso.
“É uma infecção que grande parte das pessoas terá contato ao longo da vida. Sem vacinação e rastreamento adequados, ela pode evoluir lentamente para câncer, especialmente em contextos de baixa cobertura vacinal”, explica.
Mesmo após o início da vida sexual, a vacinação continua sendo recomendada, além de ter passado por atualizações recentes que facilitam a ampliação da cobertura. “Hoje já sabemos que, em crianças e adolescentes, uma única dose pode conferir proteção eficaz, o que facilita o acesso e amplia a cobertura vacinal”, acrescenta.
O rastreamento regular segue como principal estratégia para evitar a evolução da doença. Exames como o Papanicolau e o teste de DNA para HPV permitem identificar alterações ainda em fase inicial, quando as chances de cura são elevadas.
“O diagnóstico precoce muda completamente o cenário. Lesões iniciais têm altíssimas taxas de cura e permitem tratamentos menos agressivos, preservando fertilidade e qualidade de vida”, destaca a médica.
Outro desafio é combater a desinformação sobre a doença, que ainda afasta muitas mulheres dos exames preventivos. “O HPV não está relacionado a comportamento inadequado, como ainda se acredita. É uma infecção comum, e o maior erro é esperar sintomas para investigar — quando, na verdade, ele costuma ser silencioso”, alerta.
O tratamento varia conforme o estágio da doença e as condições clínicas da paciente, podendo incluir cirurgia, quimioterapia, radioterapia, imunoterapia e terapias-alvo. Em casos selecionados, a cirurgia robótica pode ser indicada como alternativa minimamente invasiva.
Apesar dos avanços no tratamento, a principal estratégia contra o câncer de colo do útero ainda é a prevenção.
“Vacinar-se, manter os exames em dia, usar preservativo e não ignorar sintomas são atitudes fundamentais. A prevenção não é um evento isolado, é um cuidado contínuo ao longo da vida”, conclui a especialista.