- CUIABÁ
- DOMINGO, 12 , ABRIL 2026
Em Várzea Grande, o asfalto virou exceção e o buraco regra. De ponta a ponta, ruas e avenidas tomadas por crateras expõem uma realidade que já não é pontual, mas estrutural. O cenário já é apontado pela população como o segundo maior problema da cidade, atrás apenas da falta de água. Seja em grandes vias do centro ou dentro dos bairros, a situação se repete sem distinção de região, sem prioridade e sem resposta.
Na rua Dom Aquino, no Centro Norte de Várzea Grande, a deterioração do asfalto já compromete a via e evidencia um cenário de agravamento contínuo. O que começou com um pequeno buraco em uma das pistas de mão dupla evoluiu, ao longo dos meses, para uma erosão de grandes proporções. A abertura avançou até a lateral da pista, comprometendo a estrutura do pavimento e ampliando o risco para quem passa pelo local. Há mais de dois meses sem qualquer intervenção, o trecho se transformou em uma verdadeira armadilha e obriga motoristas a desviarem em meio à falta de sinalização e ao perigo constante.
No mês passado, uma motocicleta chegou a cair no local durante uma noite de chuva. “O rapaz veio e, como estava chovendo muito e sem iluminação, ele caiu com tudo. Tive que ajudar, ele se machucou”, relata Cícero Moura, 58, vigilante de uma empresa na região. O episódio evidencia que o problema deixou de ser apenas um transtorno e passou a colocar vidas em risco.
Na avenida Frei Coimbra, no bairro Icaraí, o que se vê é uma sequência de crateras abertas, tomadas por água barrenta, que transformam a via em um verdadeiro campo de obstáculos. Motoristas são obrigados a reduzir bruscamente a velocidade, desviar em zigue-zague e disputar espaço em meio aos buracos, enquanto motociclistas enfrentam risco constante de queda, principalmente em dias de chuva, quando a água encobre a profundidade das erosões. A deterioração não é pontual. Ao longo da via, o asfalto cedeu em diferentes pontos, revelando uma estrutura comprometida e sem qualquer sinal recente de manutenção.