- CUIABÁ
- QUINTA-FEIRA, 30 , ABRIL 2026
A rejeição do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF) provocou reações imediatas entre parlamentares da bancada federal de Mato Grosso, que classificaram o episódio como histórico e com forte peso político.
O senador Jayme Campos (União) destacou o caráter institucional da decisão e afirmou que o resultado reafirma a independência do Senado.
“Hoje é um dia histórico. A rejeição ao nome de Jorge Messias para a vaga do Supremo Tribunal Federal representa uma demonstração clara da independência do Senado Federal. Essa postura inclusive sempre marcou a minha trajetória nesta Casa. A votação mostrou que o Senado não é mero homologador das escolhas de outros poderes”, disse.
Jayme ainda enfatizou que a decisão foi tomada com responsabilidade. “Cabe ao Senado avaliar com liberdade e responsabilidade os nomes indicados para a mais alta corte do país. E foi isso que ocorreu. Uma decisão soberana, serena e respeitosa, tomada em nome do equilíbrio institucional entre os poderes”, completou.
Já o senador Wellington Fagundes (PL) adotou um tom mais político e crítico ao governo federal, associando a derrota a um enfraquecimento da gestão do presidente.
“Depois de mais de um século, é a primeira vez que é rejeitada a indicação de um presidente da República para ministro do Supremo. Isto é uma demonstração de que esse governo acabou. O presidente hesitou, demorou demais, isso tudo foi enfraquecendo, além da carga tributária e dos escândalos que estão acontecendo”, afirmou.
O parlamentar também exaltou a atuação da oposição. “Fica aqui a nossa homenagem ao nosso líder maior, Flávio Bolsonaro, que junto com toda a oposição estivemos presentes para votar, para mostrar que a democracia vale acima de tudo”, declarou.
Líder da bancada federal de Mato Grosso, a deputada Coronel Fernanda (PL) também classificou o episódio como marcante e sinalizou mudança no cenário político nacional, apesar de uma fala com trechos desconexos.
“O dia é histórico aqui no Senado Federal. A indicação foi aprovada na CCJ, mas acabou sendo derrubada em plenário. O governo precisa entender que o cenário está mudando”, disse.
A derrota de Jorge Messias ocorreu após sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e votação secreta no plenário. O indicado recebeu 34 votos favoráveis, 42 contrários e uma abstenção — número insuficiente para atingir a maioria absoluta de 41 votos necessária para aprovação.
Segundo dados do próprio Senado, esta é a primeira rejeição de um indicado ao STF em mais de um século. O último caso semelhante ocorreu ainda no período inicial da República, no século XIX, em um contexto de instabilidade institucional.
Com a decisão, caberá agora ao presidente da República indicar um novo nome para a vaga aberta na Suprema Corte, reiniciando todo o processo de sabatina e votação no Senado Federal.