- CUIABÁ
- SEGUNDA-FEIRA, 4 , MAIO 2026
Cuba e Estados Unidos mantêm uma relação de tensão há mais de seis décadas, desde a Revolução Cubana liderada por Fidel Castro, em 1959. Ao longo desse período, o relacionamento entre os dois países alternou momentos de aproximação e forte distanciamento, especialmente a partir da intensificação de sanções econômicas impostas por Washington. Na atual fase, marcada pelo segundo mandato do presidente Donald Trump, as relações voltaram a se deteriorar.
Nos últimos desdobramentos, a interrupção do envio de petróleo venezuelano para Cuba agravou a crise energética da ilha. A medida ocorreu após a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos em 3 de janeiro, segundo informações citadas no contexto do conflito. Além disso, o governo norte-americano ameaçou impor tarifas a países que mantivessem exportações de petróleo para Cuba, o que levou o México a suspender remessas planejadas.
O presidente Donald Trump afirmou que há negociações em andamento com representantes de alto nível de Cuba e que o governo cubano demonstraria interesse em reduzir as tensões entre os dois países, historicamente marcadas por divergências políticas e econômicas.
Origem do conflito
As relações entre Cuba e Estados Unidos começaram a se deteriorar após a Revolução Cubana, em 1º de janeiro de 1959, quando o governo de Fulgencio Batista, apoiado por Washington, foi derrubado pelos irmãos Fidel e Raúl Castro.
Com a chegada ao poder, o novo governo cubano iniciou a nacionalização de setores estratégicos da economia e implementou reformas agrárias, afetando diretamente interesses norte-americanos na ilha. Em resposta, os Estados Unidos reduziram a cota de importação de açúcar e iniciaram um embargo econômico parcial, que posteriormente se expandiu e se tornou um dos mais longos da história contemporânea.
Em 1961, os dois países romperam oficialmente relações diplomáticas, com o fechamento da embaixada dos Estados Unidos em Havana.
Aliança com a União Soviética
Diante do isolamento econômico e político, Cuba aproximou-se da União Soviética no início dos anos 1960. O acordo firmado em 1960 garantiu fornecimento de petróleo, apoio econômico e cooperação militar soviética, além da compra da produção de açúcar cubana.
A parceria consolidou Cuba como importante aliado estratégico de Moscou durante a Guerra Fria, ao mesmo tempo em que intensificou o conflito com os Estados Unidos.
A invasão da Baía dos Porcos
Em abril de 1961, exilados cubanos treinados e apoiados pela CIA tentaram invadir a ilha na operação conhecida como Baía dos Porcos. A ação tinha como objetivo derrubar o governo de Fidel Castro, mas terminou em fracasso após rápida resposta das forças cubanas.
A derrota consolidou o poder de Castro e fortaleceu sua aproximação com a União Soviética, além de ampliar a tensão com os Estados Unidos.
Crise dos Mísseis de 1962
O momento mais crítico da relação ocorreu em outubro de 1962, durante a Crise dos Mísseis Cubanos. A instalação de mísseis nucleares soviéticos em território cubano levou os Estados Unidos a decretarem bloqueio naval à ilha.
O impasse aproximou as duas superpotências de uma guerra nuclear, mas foi resolvido por meio de acordo diplomático: a União Soviética retirou os mísseis, e os Estados Unidos se comprometeram a não invadir Cuba.
Tentativa de reaproximação
Em 2014, durante o governo Barack Obama, Estados Unidos e Cuba iniciaram um processo de reaproximação diplomática, com a retomada de relações oficiais após décadas de isolamento.
No entanto, especialistas apontam que a abertura não resultou nas mudanças esperadas. Segundo análises acadêmicas, o governo cubano teria reforçado o controle estatal sobre a economia, especialmente por meio de conglomerados ligados às Forças Armadas.
A partir de 2017, a política norte-americana voltou a endurecer com a administração Donald Trump, que reverteu medidas de flexibilização e ampliou restrições contra Cuba.
Possibilidade de acordo
Apesar de declarações recentes sobre possíveis negociações, analistas consideram que um acordo amplo entre os dois países segue distante. Enquanto Washington defende mudanças estruturais no regime cubano, Havana busca a suspensão de sanções econômicas.
Especialistas apontam que a falta de convergência política entre os dois governos mantém o impasse. Nesse cenário, uma reaproximação significativa continua incerta.