- CUIABÁ
- SÁBADO, 9 , MAIO 2026
Boletim de ocorrência registrado pela própria Câmara Municipal de Várzea Grande aponta que apenas o vereador e líder de governo da prefeita Flávia Moretti (PL), vereador Bruno Rios (PL) e seus assessores tinham acesso ao gabinete onde uma suposta escuta clandestina foi encontrada nesta quinta-feira (8). No documento registrado pela direção da Casa de Leis ainda aponta que o parlamentar sequer comunicou oficialmente o Legislativo após a descoberta do equipamento.
O episódio veio à tona após Bruno Rios declarar à imprensa, na noite de quinta, que teria encontrado um aparelho de escuta escondido dentro de seu gabinete na Câmara Municipal. No entanto, segundo o documento registrado posteriormente pela Câmara, a direção do Legislativo tomou conhecimento do fato apenas por meio de sites de notícias e redes sociais.
“Sobre esse episódio envolvendo o ilustre vereador Bruno Rios (PL), acerca de suposto aparelho de escuta em seu gabinete, a direção da Câmara informa que não foi comunicada oficialmente sobre o fato, suas circunstâncias, o suposto objeto ou eventuais testemunhas e que apenas tomou conhecimento do caso por meio da imprensa”, diz trecho do boletim.
O documento ainda aponta que, até o momento do registro, não havia confirmação de que o vereador tivesse acionado oficialmente a Guarda Municipal ou a Polícia Civil para preservar provas e acompanhar a cadeia de custódia do suposto equipamento.
“Até o presente momento, não há conhecimento de que o vereador Bruno, que é advogado, tenha acionado formalmente a Guarda Municipal ou a Polícia Civil para acompanhamento da cadeia de custódia exigida para preservação das provas e garantia da legalidade da investigação”, afirma o registro.
Outro ponto que chamou atenção foi o fato de a Câmara praticamente afastar a hipótese de invasão ao gabinete sem autorização. Segundo informações repassadas pela Secretaria Legislativa-Administrativa, o gabinete de Bruno Rios possui acesso restrito, com chaves que ficam apenas com o vereador e seus assessores.
O documento destaca ainda que o local conta com uma porta de vidro exclusiva no corredor de acesso ao gabinete, estrutura instalada pelo próprio vereador e que não foram identificados sinais de arrombamento.
“Assim sendo, não havendo relatos de arrombamento nessa porta de vidro e nem de outras, a princípio, fica afastada a possibilidade de que terceiros tenham ingressado no seu gabinete sem autorização do próprio vereador ou de seus assessores”, cita outro trecho do boletim.
A Câmara também informou que o prédio possui vigilância da Guarda Municipal 24 horas por dia e que, em nenhum momento, os agentes teriam sido acionados para acompanhar a situação. “O prédio da Guarda Municipal dispõe de guarda municipal 24 horas por dia e que em momento algum foi acionada para acompanhar o ocorrido”, aponta o documento.
Diante da repercussão do caso, a direção da Casa afirmou que decidiu registrar boletim de ocorrência por dever institucional e que solicitou investigação interna, além de pedir apoio da Guarda Municipal e da Polícia Civil para apuração dos fatos.
“A Câmara registra este boletim de ocorrência e informa que está adotando medidas para investigação do fato internamente e junto à Guarda Municipal e ao Departamento de Polícia Civil para apuração da veracidade dos fatos”, afirma.
Uma nova varredura técnica também deverá ser realizada nas dependências da Câmara Municipal.
O Legislativo informou ainda que notificou oficialmente o vereador Bruno Rios para que apresente esclarecimentos sobre o ocorrido, mas, até o momento do registro do boletim, não havia recebido manifestação formal do parlamentar.
O caso agora deverá ser analisado pelas autoridades policiais.
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