- CUIABÁ
- SEGUNDA-FEIRA, 15 , JUNHO 2026
A sucessão na presidência da Câmara Municipal de Cuiabá entrou em uma nova fase de articulações políticas e negociações nos bastidores. Mais do que a definição da próxima Mesa Diretora, o centro da disputa passou a ser a construção de uma maioria qualificada capaz de promover alterações no Regimento Interno da Casa.
O debate envolve diretamente a atual presidente do Legislativo, Paula Calil (PL), que busca viabilizar uma eventual candidatura à reeleição. Para que isso ocorra, porém, será necessária uma mudança regimental, medida que depende da aprovação de dois terços dos vereadores — o equivalente a 18 votos favoráveis.
Atualmente, os grupos que disputam o controle da Câmara apresentam forças semelhantes. Integrantes da base aliada de Paula afirmam contar com o apoio de 12 parlamentares. Do outro lado, o bloco articulado pelo vereador Ilde Taques (Podemos) sustenta reunir 13 vereadores em torno de uma candidatura alternativa para a próxima composição da Mesa Diretora.
Apesar da diferença numérica, nenhum dos grupos possui, neste momento, a maioria necessária para promover alterações nas normas internas do Legislativo. O desafio, portanto, permanece concentrado na conquista dos votos indispensáveis para alcançar o quórum qualificado.
Um dos principais articuladores do grupo ligado à atual presidente, o vereador Demilson Nogueira (PP) confirmou que as negociações seguem em andamento para ampliar a base de apoio.
“Estamos trabalhando para chegar aos 18 votos”, afirmou o parlamentar.
Nesse cenário, alguns vereadores passaram a ser considerados peças-chave nas tratativas políticas. Entre eles estão Dilemário Alencar e Baixinha Giraldelli, que mantêm diálogo com diferentes grupos e ainda não anunciaram posicionamento definitivo em relação à disputa.
Nos corredores da Câmara, a avaliação é de que qualquer mudança de alinhamento desses parlamentares poderá alterar significativamente o equilíbrio de forças na eleição da Mesa Diretora. Ainda assim, lideranças dos dois grupos reconhecem que atingir os 18 votos continua sendo o principal obstáculo para qualquer tentativa de mudança regimental.
Além das articulações políticas, a possibilidade de uma disputa judicial também entrou no radar dos envolvidos. Segundo Demilson Nogueira, integrantes do PL avaliam questionar a antecipação da eleição da Mesa Diretora, atualmente prevista para ocorrer em 25 de agosto.
A discussão ganhou força após recentes decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) relacionadas a eleições antecipadas em casas legislativas pelo país. Nos bastidores, interlocutores avaliam que uma eventual judicialização do processo poderia resultar no adiamento da votação, ampliando o prazo para negociações e rearranjos políticos dentro do Parlamento municipal.
Caso esse cenário se concretize, o grupo ligado à atual presidente ganharia mais tempo para buscar os apoios necessários à aprovação da mudança regimental. Por outro lado, a ala liderada por Ilde Taques trabalha para preservar sua base de sustentação e impedir que os adversários alcancem a maioria exigida.
Diante desse contexto, a disputa pela Mesa Diretora da Câmara de Cuiabá ultrapassa os limites de uma simples eleição interna e se consolida como uma das principais batalhas políticas do Legislativo municipal. Com o equilíbrio entre os grupos e a indefinição sobre votos decisivos, cada movimento poderá influenciar diretamente os rumos da Casa nos próximos anos.