- CUIABÁ
- QUARTA-FEIRA, 17 , JUNHO 2026
A advogada da família de Olga Beatriz Santos da Silva, de 12 anos, Dayanne Rodrigues, afirmou que o pai da adolescente, Claudinei Silva, de 42 anos, pode ter se apresentado espontaneamente à polícia por medo de ser morto por integrantes de facções criminosas após o assassinato da filha. A declaração foi feita pela criminalista Dayane Rodrigues durante entrevista ao programa SBT Comunidade, exibido nesta segunda-feira (16).
Claudinei é acusado de espancar e matar a própria filha no dia 7 de junho, em Várzea Grande. Após o crime, ele fugiu da residência, mas horas depois procurou a Delegacia Especializada de Defesa da Mulher e Vulneráveis 24 Horas, onde acabou sendo preso e posteriormente teve a prisão convertida em preventiva pela Justiça.
Segundo Dayane, informações obtidas pela defesa da família indicam que a decisão de se entregar não teria sido motivada por arrependimento.
“Ele estava com medo de ser morto pela facção criminosa. Então o intuito dele se entregar foi para que ele não fosse morto pela facção. Então ele se entregou por medo”, afirmou a advogada.
A declaração contraria a imagem de colaboração espontânea que normalmente acompanha casos de apresentação voluntária à polícia. Para a representante da família da vítima, a atitude do suspeito estaria ligada à própria segurança após a repercussão do crime.
Outro ponto destacado pela advogada é que as imagens registradas após o assassinato não demonstrariam sinais de embriaguez por parte do acusado. A informação ganha relevância porque uma das versões ventiladas após o crime apontava que ele poderia ter cometido as agressões sob efeito de álcool.
“Eu também verifiquei essas imagens e ele não aparentava estar em estado de embriaguez nenhum”, declarou.
Ainda de acordo com Dayane Rodrigues, ela recebeu relatos de que Claudinei teria tentado tirar a própria vida após ser encaminhado para a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
“Informações essas que eu tive, que ele tentou se matar dentro da delegacia da DHPP”, disse.
A advogada também questionou a versão apresentada pelo suspeito sobre a motivação do crime. Em depoimento, Claudinei alegou que agrediu a filha após encontrar mensagens trocadas entre a adolescente e um garoto em uma rede social. No entanto, familiares contestam essa narrativa e sustentam que Olga não possuía celular próprio nem mantinha perfis em redes sociais.
O caso
De acordo com a polícia, a vítima deu entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Verdão, no dia 8 de junho 7 de junho, onde a equipe médica confirmou a morte.
À polícia, a mãe da adolescente relatou que foi até a casa do Claudinei por volta das 18h para buscar a filha. Segundo ela, após insistir várias vezes no portão da casa, o suspeito saiu do imóvel e alegou que Olga Beatriz estaria brincando na casa de uma vizinha.
Ao entrar na residência, ela encontrou a filha caída no chão de um dos quartos, desacordada com diversas lesões provocadas por agressões físicas. O acusado se entregou a polícia e foi indiciado por feminicídio.
O caso é investigado como feminicídio pela Polícia Civil.