- CUIABÁ
- SEXTA-FEIRA, 19 , JUNHO 2026
O presidente da Câmara de Várzea Grande, Wanderley Cerqueira (MDB), detonou a gestão da prefeita Flávia Moretti (PL) e afirmou que a administração municipal não consegue apresentar obras próprias mesmo após receber autorização para remanejar centenas R$ 500 milhões do orçamento municipal. As declarações foram feitas durante reunião realizada nesta quinta-feira (18), no Legislativo municipal.
Segundo Wanderley, as inaugurações anunciadas pela Prefeitura não são resultado de investimentos da atual gestão, mas de recursos federais ou de projetos herdados de administrações anteriores. “Me mostra uma obra em Várzea Grande. Todas as obras que têm são do governo passado”, disparou.
Wanderley detalhou que, em 2025, a Câmara autorizou a Prefeitura a remanejar 25% do orçamento municipal, estimado em cerca de R$ 1,7 bilhão, o que representou aproximadamente R$ 500 milhões movimentados entre as secretarias. Já em 2026, segundo ele, o orçamento saltou para cerca de R$ 2,037 bilhões e os vereadores aprovaram um limite menor, de 5%, equivalente a pouco mais de R$ 100 milhões. Mesmo assim, o presidente afirmou que metade desse valor já foi utilizada pela gestão sem que a população perceba investimentos significativos.
O presidente da Câmara lembrou que, no ano passado, o Executivo recebeu autorização para remanejar cerca de R$ 500 milhões dentro do orçamento, mas, segundo ele, a população não viu os resultados nas ruas.
“Remanejou R$ 500 milhões e não teve obra. Nós queremos ver onde está sendo aplicado o recurso”, afirmou.
Wanderley também criticou os novos pedidos de créditos adicionais encaminhados pela Prefeitura à Câmara, alegando que a gestão ainda possui margem para movimentar recursos sem necessidade de novas autorizações legislativas.
“Ela tem recurso para remanejar e não gastou um milhão com tapa-buraco. Ainda fica mandando crédito adicional para esta Casa”, declarou.
O parlamentar foi além e afirmou que a Câmara não pretende conceder novos poderes orçamentários sem que a Prefeitura demonstre resultados concretos para a população.
“Não podemos dar um cheque em branco para uma prefeita que não tem uma obra na cidade”, disse.
Segundo ele, as obras atualmente entregues pela administração municipal são financiadas por outras esferas de governo, enquanto investimentos com recursos próprios da Prefeitura não são percebidos pela população.
“Porque obra com recurso próprio você não vê na cidade. Todas essas obras que estão sendo inauguradas são recursos do Governo Federal”, criticou.
Durante o pronunciamento, Wanderley ainda citou dificuldades enfrentadas por fornecedores da Prefeitura e afirmou que a situação financeira do município é preocupante.
“O padeiro que entrega pão no pronto-socorro não recebe. A tomografia não recebe. O oxigênio do pronto-socorro não recebe”, afirmou.
Ao final, o presidente da Câmara classificou o cenário de Várzea Grande como grave e voltou a cobrar mais transparência na aplicação dos recursos públicos. “A situação de Várzea Grande é muito séria. Se a gente for contar tudo o que está acontecendo, é muito sério”, concluiu.
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