domingo, 21 - junho 2026 - 12:10



INVESTIGAÇÃO DE ASSÉDIO

Maria Avalone diz que discurso pró-mulheres não se reflete apoio a CPI na Câmara


Da Redação / FatoAgora
Maria Avalone – Allan Mesquita
Maria Avalone – Allan Mesquita

A vereadora Maria Avalone (PSDB) criticou a postura de parlamentares que, segundo ela, fazem discursos em defesa das mulheres, mas não demonstram o mesmo compromisso na prática quando há iniciativas de investigação sobre casos de violência.

A declaração foi feita ao comentar a tentativa de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar uma denúncia de assédio sexual envolvendo o ex-chefe de gabinete do prefeito Abilio Brunini, Willian Leite de Campos, e uma servidora pública.

Sem citar nomes, a parlamentar afirmou que houve baixa adesão entre as mulheres do Legislativo cuiabano à proposta de investigação, o que, na avaliação dela, expõe uma contradição entre o discurso público e a atuação efetiva.

“Temos oito mulheres aqui. Poucas delas assinaram. Então isso é discurso. Quando você vê no plenário todo mundo falando que defende as mulheres, mas na hora de uma ação concreta, como uma CPI, não teve assinatura suficiente”, disse.

Avalone destacou ainda que há um descompasso entre a indignação manifestada em casos de violência contra mulheres e o apoio a medidas institucionais de apuração.

“Todo mundo fica indignado quando acontece um feminicídio ou um caso de violência. Mas quando surge a oportunidade de aprovar uma CPI para investigar uma denúncia, não há o mesmo empenho”, afirmou.

Ela também questionou o que chamou de receio de parte dos vereadores em apoiar a investigação. “Por que esse medo de assinar uma CPI? Nós sabemos o que está acontecendo. Sabemos que mulheres são vítimas de violência todos os dias”, declarou.

Durante a entrevista, a vereadora defendeu que o enfrentamento à violência contra mulheres precisa ir além de discursos e se traduzir em políticas públicas efetivas, com acolhimento, qualificação profissional e apoio social.

“É acolher as mulheres que estão sendo violentadas, encaminhá-las, oferecer cursos, profissionalização, incentivar essas mulheres e mostrar que elas não estão sozinhas”, afirmou.

As declarações ocorrem em um momento em que a Câmara de Cuiabá conta com uma Mesa Diretora formada exclusivamente por mulheres, fato inédito na história do Legislativo municipal.


Entre no nosso canal do Whatsapp e receba noticias em tempo real. Clique Aqui
+