- CUIABÁ
- QUARTA-FEIRA, 29 , JULHO 2026
Carretas transportando toras de madeira com peso líquido superior a 100 toneladas têm circulado diariamente pela MT-170, importante corredor de escoamento da produção no noroeste de Mato Grosso. Além de provocar a deterioração acelerada do pavimento, o excesso de carga aumenta significativamente o risco de acidentes e preocupa moradores, caminhoneiros e motoristas que utilizam a rodovia.
O trecho entre Juína, Brasnorte e Castanheira concentra um dos maiores fluxos de veículos pesados do Estado. Estudos técnicos e projetos de engenharia da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT) apontam que a rodovia recebe entre 3 mil e 6 mil veículos por dia, dependendo do período. Durante a safra e o auge da atividade madeireira, caminhões e carretas chegam a representar entre 40% e 60% do tráfego diário.
Apesar da intensa movimentação, parte das combinações veiculares circula com peso acima do permitido pela legislação. A própria Sinfra reconhece o problema. Na Portaria nº 41/2021, o órgão cita o aumento significativo do fluxo de veículos de carga nas rodovias estaduais e afirma que esse cenário provoca degradação precoce do pavimento e reduz a vida útil das estradas.
Mais do que prejuízos à infraestrutura, especialistas alertam para os riscos à segurança viária. Veículos com cargas muito acima do limite apresentam maior distância de frenagem, menor estabilidade em curvas e maior probabilidade de tombamentos, fatores que elevam o potencial de acidentes graves. “Essas carretas enormes colocam em perigo a vida dos motoristas que trafegam na MT-170. Qualquer freada brusca ou curva pode causar um acidente grave, com vítimas fatais”, relata um caminhoneiro que preferiu não se identificar por medo de represálias.
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) também alerta, em estudos técnicos, que o excesso de peso acelera a deterioração do pavimento, reduz a durabilidade das rodovias e aumenta os custos de manutenção para o poder público.
Mesmo diante dos riscos, a circulação de veículos com cargas elevadas continua intensa, principalmente durante a noite. Em operações realizadas em Mato Grosso, a Polícia Rodoviária Federal já apreendeu caminhões transportando madeira com excesso de peso, por representarem risco à segurança viária.
A falta de fiscalização permanente é apontada como um dos principais fatores para a continuidade das irregularidades. A ausência de balanças em funcionamento e de pontos fixos de pesagem facilita o transporte acima dos limites legais, reduzindo as chances de autuação.
Outro problema é a falta de transparência sobre o fluxo de veículos na rodovia. Até o momento, não existe uma contagem pública consolidada do Volume Médio Diário (VMD) da MT-170. Segundo informações oficiais, esses dados são obtidos apenas por meio de campanhas específicas realizadas pela Sinfra ou durante estudos de engenharia.
Enquanto isso, moradores e usuários da rodovia cobram medidas urgentes, como o reforço da fiscalização, a instalação de balanças e o aumento das operações de pesagem. Sem essas ações, carretas superpesadas continuam circulando livremente pela MT-170, colocando vidas em risco e comprometendo um patrimônio público cuja recuperação custa milhões aos cofres do Estado.
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