segunda-feira, 17 - agosto 2026 - 11:53



NÃO CONVENCEU DELEGADO

PM admite ligação com foragido por matar jovem em Cuiabá; 'queria convencer a se entregar'


Allan Mesquita / Da Redação
Reprodução
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Um subtenente da Polícia Militar foi ouvido pela Polícia Civil nesta segunda-feira (17) após manter uma conversa de aproximadamente oito minutos com Fabiano Oliveira Borges, conhecido como “Pépi”, apontado como suspeito de matar a namorada, Ana Cristina Pacheco Matos, de 20 anos, em Cuiabá.

O detalhe que chamou a atenção da investigação é que o militar já sabia que Fabiano era procurado pelo feminicídio quando entrou em contato com ele. Segundo o delegado Bruno Abreu, o policial afirmou que tentou convencer o suspeito a se entregar e que pretendia ser “o herói da situação”, além de receber uma possível bonificação pela captura.

“O policial disse que conhece o suspeito porque ele arruma telefone na assistência dele. Quando ele viu a foto do Pépi, que estava sendo procurado por feminicídio, entrou em contato com ele, mas o suspeito não atendeu”, relatou o delegado.

Ainda conforme o depoimento, aproximadamente 10 minutos depois, Fabiano retornou a ligação. Os dois permaneceram conversando por cerca de 8 minutos. O policial teria afirmado aos investigadores que o objetivo era convencer o suspeito a se entregar.

A versão, porém, não convenceu o delegado. “Agora, um suspeito que acaba de matar a namorada está falando com o policial militar pelo telefone. Eu acho difícil um suspeito ficar 8 minutos com um PM dando essa brecha, se ele não tivesse alguma confiança. Isso dá tempo de você rastrear, identificar e tentar prender”, afirmou Bruno Abreu.

A conversa foi descoberta durante diligências realizadas na Pépi Cell, assistência técnica de propriedade do suspeito, no bairro Alvorada. Os investigadores encontraram um computador ligado e com o WhatsApp Web conectado, o que ajudou a revelar o contato entre os dois.

Segundo o depoimento, o subtenente já conhecia Fabiano porque costumava levar celulares para manutenção na assistência técnica. Depois de ver a divulgação de que “Pépi” estava sendo procurado pelo feminicídio, decidiu ligar para ele.

O suspeito não atendeu inicialmente, mas, cerca de dez minutos depois, retornou a ligação. Os dois permaneceram conversando por aproximadamente oito minutos.

Para o delegado Bruno Abreu, o tempo de conversa e o fato de Fabiano ter retornado o contato levantam questionamentos sobre o grau de confiança entre os dois. “Eu acho difícil um suspeito ficar 8 minutos com um PM dando essa brecha, se ele não tivesse alguma confiança. Isso dá tempo de você rastrear, identificar e tentar prender”, afirmou.

Outro ponto que chamou a atenção da Polícia Civil foi o fato de o subtenente não ter comunicado imediatamente aos superiores que estava conversando com o homem procurado. Naquele momento, equipes da Polícia Militar estavam mobilizadas para localizar Fabiano. “O que me chamou atenção foi ele não comunicar ao superior imediato que estava conversando com o suspeito, enquanto toda a Polícia Militar estava procurando esse homem naquele dia”, disse o delegado.

Apesar dos questionamentos, a Polícia Civil ainda não concluiu que o militar tenha ajudado Fabiano a fugir ou cometido qualquer irregularidade. O objetivo da investigação é esclarecer o conteúdo da ligação, a relação entre os dois e o motivo pelo qual o suspeito se sentiu à vontade para retornar a chamada.

Após prestar depoimento, o subtenente foi liberado.

Veja vídeo:

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