segunda-feira, 17 - agosto 2026 - 12:40



FEMINICÍDIO NO ALVORADA

Vídeo - PM nega ter ajudado ‘Pépi’ e diz que aguardava ‘momento oportuno’ para prendê-lo


Allan Mesquita / Da Redação
Joarez Candido Silva
Joarez Candido Silva

O subtenente da Polícia Militar Joarez Candido Silva negou, nesta segunda-feira (17), ter oferecido qualquer tipo de ajuda a Fabiano Oliveira Borges, conhecido como “Pépi”, acusado de matar a namorada Ana Cristina Pacheco Matos, de 20 anos, no último sábado (15), no bairro Alvorada, em Cuiabá. Segundo o militar, a conversa de aproximadamente oito minutos com o foragido tinha como objetivo criar uma oportunidade para conseguir prendê-lo.

O policial prestou esclarecimentos à imprensa na sede da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), após ser ouvido pela Polícia Civil sobre o contato mantido com Fabiano quando ele já era procurado pelo crime. Joarez afirmou que não ofereceu nenhum benefício ou vantagem ao suspeito e que a intenção desde o início era fazer a detenção. “Eu fiz a ligação das melhores intenções para que pudéssemos fazer a detenção do Fabiano. O fato de eu ter comigo aqui o contato dele, que ele consertava meu celular, não significa que eu tenha oferecido algum benefício, alguma vantagem para ele.”

Segundo o subtenente, ele tinha o número de Fabiano porque o suspeito trabalhava com manutenção de celulares e já havia realizado serviços para ele. O militar negou, porém, que tivesse qualquer relação de proximidade ou amizade com o investigado. “Eu não conheço ele. Eu tinha o contato dele porque ele consertava o celular e fez manutenção no meu celular. Não tenho afinidade com ele”, disse.

A ligação entre os dois passou a ser investigada depois que a Polícia Civil encontrou o computador da assistência técnica de Fabiano com o WhatsApp Web conectado. O contato chamou a atenção dos investigadores porque o subtenente já sabia que o homem estava sendo procurado quando conversou com ele. O delegado Bruno Abreu afirmou anteriormente que considera incomum o fato de um suspeito de feminicídio permanecer oito minutos ao telefone com um policial, especialmente sem que o contato fosse imediatamente comunicado aos superiores.

Questionado sobre os motivos para ter permanecido cerca de oito minutos ao telefone com um homem que estava sendo procurado por feminicídio, Joarez afirmou que aguardava uma oportunidade para convencer Fabiano a se entregar. De acordo com o militar, caso o suspeito demonstrasse que pretendia se entregar, ele acionaria imediatamente a equipe para realizar a prisão. “Eu estava esperando o momento oportuno de acionar o meu comandante. Assim que ele falasse: ‘não, eu quero me entregar’, aí sim acionaria na hora.”

Joarez também explicou que, como Fabiano não manifestou naquele momento a intenção de se entregar, decidiu continuar conduzindo a conversa antes de comunicar a situação. “Como ele não falou, aí eu tive que avisar”, pontuou.

O subtenente negou ainda que estivesse realizando uma investigação por conta própria ou que tivesse agido para beneficiar o suspeito. “Eu não estava fazendo investigação por conta própria. Eu estava conduzindo a situação de modo que, se ele se entregasse, eu acionaria minha guarnição e fazia uma detenção dele”, ponderou.

Durante a entrevista, Joarez também foi questionado se Fabiano havia pedido algum tipo de ajuda para escapar ou se o policial teria oferecido auxílio ao suspeito. Ele negou. Questionado sobre o que teria dito ao foragido durante a conversa, o militar reforçou que sua intenção era conduzi-lo à prisão. “Minha intenção era conduzir, de forma que a gente conseguisse colocar as mãos nele.”

A Polícia Civil ainda apura o conteúdo da conversa e as circunstâncias do contato para verificar se houve qualquer favorecimento ao suspeito. Fabiano permanece foragido.

Veja vídeo:


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