domingo, 6 - setembro 2026 - 16:31



SUJEIRA ELEITORAL

Abilio detona 'baderna' de candidatos e libera propaganda de comerciantes nas ruas de Cuiabá


Allan Mesquita/ Da Redação
Abilio Brunini
Abilio Brunini

O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), afirmou que pretende liberar, durante o período eleitoral, formatos de publicidade para comerciantes semelhantes aos autorizados para candidatos. Segundo ele, a medida deve provocar uma grande quantidade de anúncios espalhados pela cidade e servir como forma de pressionar a Justiça Eleitoral a discutir e eventualmente rever as regras de propaganda.

A declaração ocorreu após Abilio criticar a instalação de materiais de campanha em locais que considera inadequados. O prefeito afirmou que a Prefeitura fica limitada durante o período eleitoral porque, embora determinadas estruturas possam contrariar regras municipais de publicidade, a fiscalização da propaganda eleitoral cabe à Justiça Eleitoral.

“Os caras sujam a cidade. Os caras vão lá e fazem uma baderna na paisagem da nossa cidade. E a gente não pode fazer nada”, reclamou.

Entre os casos citados pelo prefeito estão os chamados wind banners instalados na entrada do Parque Tia Nair e na lateral do Parque das Águas. Abilio afirmou que ficou revoltado ao encontrar as estruturas nos locais, mas disse que não poderia ordenar a retirada dos materiais.

Ampliação de publicidade

Ao ser questionado se permitir que comerciantes utilizem os mesmos formatos de propaganda dos candidatos não poderia aumentar ainda mais a poluição visual, Abilio foi direto: “a ideia é essa”.

Na avaliação do prefeito, a multiplicação das estruturas deixaria evidente a diferença de tratamento entre empresas e candidatos durante o período eleitoral. A intenção seria criar uma situação de grande volume de publicidade para provocar uma reação e levar o tema novamente à discussão.

“Vai ter um mundo aéreo de wind banner, um mundo aéreo de propaganda”, afirmou.

Abilio questiona o fato de um candidato poder utilizar determinado tipo de material enquanto um comerciante, diante da mesma situação, continua sujeito às restrições previstas nas normas municipais.

Para ele, a situação cria um conflito para os próprios fiscais. “Aí o comerciante vê o candidato fazendo e ele fala: ‘Vou fazer também’. Aí o fiscal vai ter que ir lá, tirar o do comerciante e deixar o do candidato? Não vou aceitar isso”, declarou.

Medida temporária

O prefeito afirmou que a liberação pretendida para os comerciantes terá validade apenas durante o período eleitoral. Depois disso, as regras municipais de publicidade voltariam a ser aplicadas normalmente.

Abilio sustenta que a estratégia tem justamente o objetivo de evidenciar os efeitos da atual legislação eleitoral sobre a paisagem urbana. A expectativa é que o excesso de publicidade provoque questionamentos e abra espaço para uma discussão sobre os limites da propaganda eleitoral em espaços públicos.

“Eu vou autorizar todo mundo a encher ali. Vai colocar um monte. Aí o cara que coloca lá, ninguém nem vai olhar. Vai ter uma bagunça”, afirmou.


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