- CUIABÁ
- QUINTA-FEIRA, 10 , SETEMBRO 2026
Um policial penal e uma professora contratada da rede estadual foram presos na manhã desta quarta-feira (9), em Cuiabá, suspeitos de usar os próprios cargos e o acesso privilegiado ao sistema prisional para facilitar a entrada clandestina de celulares e outros objetos para integrantes de uma facção criminosa. Segundo a investigação, o policial penal cobrava entre R$ 7 mil e R$ 10 mil por aparelho entregue aos criminosos.
As prisões ocorreram durante a Operação Insídia, deflagrada pela Polícia Civil para desarticular o esquema de corrupção. Ao todo, são cumpridas oito ordens judiciais, sendo duas prisões preventivas, dois mandados de busca e apreensão, bloqueios de valores e a suspensão cautelar das funções dos dois servidores.
De acordo com as investigações, iniciadas em junho de 2025, a professora teria usado o trânsito autorizado dentro do Centro de Ressocialização de Várzea Grande para ajudar na entrada dos celulares e outros itens ilícitos. O policial penal, por sua vez, teria utilizado a própria função para facilitar a logística criminosa.
A investigação começou após a análise de materiais apreendidos apontar transferências via Pix destinadas à professora, realizadas por reeducandos ou por familiares e visitantes cadastrados. Os pagamentos levantaram suspeitas de que os servidores estariam recebendo vantagens financeiras para permitir a entrada dos objetos.
O policial penal também teria utilizado a conta da própria companheira para receber parte dos valores, numa tentativa de dificultar o rastreamento das movimentações. A Justiça determinou ainda o bloqueio de R$ 14,6 mil da professora e R$ 25,5 mil do policial penal.
Os dois são investigados por corrupção passiva continuada, facilitação e intermediação da entrada de aparelhos telefônicos em estabelecimento prisional e associação criminosa. As investigações continuam para identificar outros possíveis envolvidos e dimensionar a extensão do esquema.