quinta-feira, 10 - setembro 2026 - 15:52



ACUSA VIOLÊNCIA POLÍTICA

Vídeo - Delegada chama Janaina de 'dona de padaria' e promete denúncias


Allan Mesquita/ Da Redação
Ana e Janaina
Ana e Janaina

A relação entre a candidata ao Senado Janaina Riva (MDB) e a delegada aposentada Ana Cristina Feldner terminou em acusações públicas. Retirada da chapa de suplentes de Janaina sem ter sido previamente comunicada, Feldner publicou um vídeo nas redes sociais em que questiona se não foi vítima de violência política de gênero e afirma que a parlamentar não a representa como mulher.

“Em toda a minha trajetória, em meus 25 anos de serviço público, eu nunca fui tão desrespeitada enquanto mulher”, declarou a ex-servidora. Segundo ela, a situação a fez questionar se uma mulher também pode ser autora de violência política de gênero, crime previsto na legislação brasileira.

“Diante de tudo o que eu vivi, hoje me pergunto: será que eu não fui vítima do crime de violência de gênero? Porque a gente acha que essa violência política é praticada apenas pelos homens […] Mas eu me questiono hoje: pela lei, uma mulher também pode ser autora deste [crime]?”, afirmou.

“Não me representa”

Ana Cristina disse que aceitou o convite para integrar a chapa por acreditar nas pautas defendidas publicamente por Janaina, principalmente relacionadas à defesa e ao empoderamento feminino. Nos bastidores, porém, afirmou ter encontrado uma realidade diferente. “A primeira farinha dessa padaria é a ‘defesa’ das mulheres, o ‘empoderamento feminino’, a ‘luta das mulheres’. E eu posso dizer para vocês: eu não vi nada disso, não foi assim que eu fui tratada”, criticou.

A delegada aposentada também minimizou a importância da suplência e afirmou que sua crítica não está relacionada à perda do espaço na chapa.

“Não se trata de lugar na fila do pão… O cargo pouco interessa, indicações vêm, cargos passam […] A candidata ao Senado, Janaina Riva não me representa como mulher”, disparou.

Feldner ainda deu a entender que o episódio pode render novas revelações sobre o grupo político de Janaina. Ao encerrar o vídeo, fez uma referência à “segunda farinha” da padaria, desta vez relacionada à honestidade e ao combate à corrupção.

“Esqueci de falar da segunda farinha desse pão: a farinha da honestidade do combate à corrupção, mas vamos deixar… Depois do dia 17 a gente grava a segunda farinha”, afirmou.

Troca na suplência

Ana Cristina havia sido anunciada inicialmente como primeira suplente de Janaina na disputa pelo Senado, mas acabou substituída durante as articulações eleitorais. A vaga posteriormente passou para o empresário Rafael Yamada Torres.

Yamada é filho do empresário Wanderley Facheti Torres, dono da construtora Trimec e citado em investigações relacionadas à Operação Ararath, deflagrada pela Polícia Federal. O novo suplente também é apontado como tendo ligações com o fundo de investimento Coliseu, que apareceu em apurações envolvendo transações financeiras relacionadas à operadora Oi.

A troca marcou o início de uma série de mudanças na composição da chapa de Janaina e abriu uma crise pública com Ana Cristina, que agora sinaliza que pretende ampliar as críticas após o prazo de alterações nas candidaturas, em 17 de setembro.

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