- CUIABÁ
- SEGUNDA-FEIRA, 14 , SETEMBRO 2026
O governador de Mato Grosso e candidato à reeleição, Otaviano Pivetta (Republicanos), afirmou que parte da população brasileira estaria com receio não da Justiça, mas de “alguns juízes”. Para ele, a percepção seria um indicativo de que a relação entre os três Poderes da República — Executivo, Legislativo e Judiciário — estaria atravessando uma crise.
A declaração ocorreu durante comentários do governador sobre o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Senado Federal, em meio aos recentes desdobramentos envolvendo ministros da Suprema Corte e as investigações relacionadas ao Banco Master.
Segundo Pivetta, o cenário precisa ser enfrentado por meio das eleições, com a escolha de representantes alinhados ao que ele classificou como sentimento da população.
“O brasileiro hoje tem medo, mas o medo que o brasileiro tem não é da Justiça, é de alguns juízes, e isso demonstra claramente que o tripé do Estado está doente. Nós precisamos aproveitar as eleições agora e curar”, afirmou.
Na avaliação do governador, a mudança deve ocorrer por meio do voto.
“A cura se faz nas eleições, votando em bons nomes que representem esse sentimento da população”, declarou.
As críticas de Pivetta ao STF ocorrem no contexto das investigações sobre suspeitas de fraudes envolvendo o extinto Banco Master, ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, que foi preso durante a operação que apura o caso.
Na última semana, o ministro André Mendonça determinou a retirada do sigilo de um relatório da Polícia Federal. O documento trouxe mensagens atribuídas a Vorcaro e ao ministro Alexandre de Moraes.
Entre os diálogos divulgados, Vorcaro teria questionado Moraes sobre a possibilidade de deixar o país antes de uma operação policial.
Pivetta também direcionou críticas ao Senado, que, conforme previsto na Constituição Federal, possui competência para processar e julgar ministros do STF por crimes de responsabilidade.
Na avaliação do governador, porém, os senadores não estariam cumprindo adequadamente essa função. Ele afirmou que parte dos parlamentares teria interesses que dificultariam uma atuação mais independente e utilizou a expressão “rabo preso” para se referir à situação.
As declarações ocorrem em meio ao debate político sobre a atuação do STF, os limites entre os Poderes e o papel do Senado na fiscalização e no julgamento de autoridades da Suprema Corte.