- CUIABÁ
- TERÇA-FEIRA, 15 , SETEMBRO 2026
A Polícia Civil investiga se o avião que caiu na zona rural de Água Boa (730 km de Cuiabá), no dia 10 de setembro, era utilizado no tráfico internacional de drogas. Três pessoas estavam a bordo da aeronave, sendo um brasileiro e dois paraguaios.
Segundo o delegado de Água Boa, Carlos Alberto Silva, os elementos reunidos até o momento sustentam a hipótese de que o Cessna 402 poderia estar sendo novamente empregado em uma atividade ilícita.
“Por fim, é importante consignar que a análise de elementos em conjunto sustenta a hipótese investigativa de que essa aeronave seria novamente empregada em alguma atividade ilícita, notadamente relacionada ao tráfico internacional de drogas”, afirmou.
Histórico da aeronave
Conforme a investigação, a aeronave já havia sido apreendida anos atrás em um processo criminal relacionado ao tráfico de drogas. Posteriormente, foi vendida em leilão público realizado pela Justiça.
Cerca de quatro meses antes da queda, o avião foi adquirido por um novo proprietário. De acordo com a Polícia Civil, no momento da compra, ele foi informado de que a aeronave não tinha autorização para operar no Brasil, não havia sido nacionalizada, não possuía matrícula brasileira nem certificado de aeronavegabilidade.
A investigação também apura as circunstâncias da compra. Segundo o delegado, o valor pago foi considerado expressivo e seria incompatível com a situação financeira do comprador. Parte do pagamento teria sido feita em dinheiro e complementada com a entrega de um veículo de alto valor.
O veículo, conforme levantamento policial, já havia pertencido a uma pessoa investigada por tráfico internacional de drogas.
Rota para outro país
As diligências apontam que o avião decolou de Goiânia sem autorização de voo, documentação regular ou plano de voo aprovado.
A principal hipótese levantada pela investigação é de que a aeronave seguiria para um país vizinho, possivelmente a Venezuela. A suspeita foi reforçada pelo relato de familiares dos passageiros, que informaram à Polícia Civil que um dos ocupantes havia dito que o grupo viajaria para o país.
Além disso, um dos passageiros possuía problemas com a Justiça do país de origem e tinha restrição para deixar o território nacional.
“Ressalte-se ainda que um dos ocupantes possuía problemas com a Justiça de seu país, tendo uma restrição de deixar o seu país de origem. Por fim, o modo como a decolagem ocorreu sem qualquer autorização, sem qualquer documentação válida, evidencia uma vez mais a clandestinidade dessa operação”, disse o delegado.
Identificação das vítimas
A Polícia Civil informou que não divulgará os nomes dos ocupantes em respeito às famílias. Os três foram preliminarmente identificados como um brasileiro e dois paraguaios.
A identificação foi possível a partir da reconstituição do itinerário dos passageiros e da análise de imagens de câmeras de segurança que registraram o embarque. Os investigadores conseguiram localizar familiares, que colaboraram com o reconhecimento preliminar.
A identificação técnica definitiva, porém, ainda depende da conclusão dos trabalhos da Polícia Científica de Mato Grosso.
As investigações aguardam os laudos periciais e devem ter continuidade também na esfera federal. Segundo a Polícia Civil, os autos serão encaminhados à Polícia Federal para aprofundamento das apurações sobre a possível relação da aeronave com o tráfico internacional de drogas.