quarta-feira, 30 - setembro 2026 - 10:28



REVELAÇÕES

Defesa promete ‘bomba’ e afirma que ‘verdade’ virá à tona no júri de Zampieri


Da Redação/ FatoAgora
Nilton Ribeiro
Nilton Ribeiro

O segundo dia do julgamento dos acusados pela morte do advogado Roberto Zampieri começou nesta quarta-feira (30), em Cuiabá, sob a promessa da defesa de apresentar novos elementos sobre o crime. Antes do início da sessão, os advogados Neyman Monteiro e Nilton Ribeiro afirmaram que o júri terá momentos de forte repercussão e que os envolvidos terão a oportunidade de conhecer a versão dos réus sobre o homicídio.

“A bomba vai estourar”, afirmou um dos defensores ao comentar a expectativa para os trabalhos desta quarta.

Os advogados também disseram que pretendem esclarecer aos jurados “por que isso aconteceu, como surgiu e de onde veio” o crime. A defesa, porém, não antecipou quais argumentos serão apresentados durante os interrogatórios.

Um dos principais pontos citados pelos defensores envolve a suspeita de venda de sentenças, tema que apareceu durante o primeiro dia do julgamento. Segundo a defesa, Antônio Gomes da Silva, apontado pelo Ministério Público como responsável pelos disparos que mataram Zampieri, teria demonstrado indignação com a suposta prática.

Ainda conforme os advogados, essa questão teria relação com a motivação do crime e será detalhada ao longo do julgamento.

Defesa nega que réu seja assassino de aluguel

Os defensores também contestaram a classificação de Antônio Gomes como “sicário”, termo usado para designar um assassino contratado para executar alguém.

Segundo a defesa, Antônio teria ido de Minas Gerais para Mato Grosso “atrás de justiça” e não possuiria histórico de outros homicídios. O advogado questionou ainda a acusação de que ele seria um matador profissional.

A tese apresentada pela defesa deverá ser confrontada com as provas e depoimentos analisados pelo Conselho de Sentença durante o julgamento.

Três réus são julgados

São julgados pelo Tribunal do Júri:

  • Antônio Gomes da Silva, apontado como autor dos disparos que mataram Zampieri;
  • Hedilerson Fialho Martins Barbosa, acusado de participar do planejamento do crime e de fornecer a arma utilizada na execução;
  • Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, denunciado por participação na empreitada criminosa.

As acusações são baseadas na denúncia apresentada pelo Ministério Público de Mato Grosso.

Seis testemunhas foram ouvidas no primeiro dia

Na terça-feira (29), primeiro dia do julgamento, seis testemunhas prestaram depoimento. Entre elas estavam os delegados Nilson André Farias de Oliveira, responsável pela investigação na Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Edilson Ricardo Pick e o delegado da Polícia Federal Marco Bontempo.

Também foram ouvidos o empresário José Marcos Marini, Mariana Costa Pinto e Lucilene Gonçalves da Silva.

Durante os depoimentos, acusação e defesa questionaram as testemunhas sobre a dinâmica do assassinato, o planejamento da execução e os elementos reunidos pelas polícias Civil e Federal.

Nesta quarta-feira, os três réus serão interrogados. Depois dessa etapa, o processo seguirá para as demais fases do Tribunal do Júri, até que os jurados do Conselho de Sentença decidam sobre a responsabilidade de cada acusado.

O julgamento é conduzido pelo juiz José Mauro Nagib Jorge, da 11ª Vara Criminal, Justiça Militar e Tribunal do Júri da Comarca de Cuiabá. Na acusação atuam os promotores Samuel Frungilo e Vinícius Gahyva Martins, com o advogado Giovani Santin como assistente do Ministério Público.


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