quarta-feira, 30 - setembro 2026 - 15:19



CASO ZAMPIERI

Pistoleiro diz que mataria desembargadores de MT; 'sem problema'


Da Redação/ FatoAgora
Antônio Gomes da Silva
Antônio Gomes da Silva

O pedreiro Antônio Gomes da Silva, acusado de matar o advogado Roberto Zampieri, afirmou durante depoimento no Tribunal do Júri, em Cuiabá, que também executaria desembargadores de Mato Grosso caso recebesse uma ordem para matar magistrados supostamente envolvidos em esquemas de venda de sentenças.

“Se tivessem me dado esta ordem, eu faria sem problema nenhum!”, declarou o réu durante o interrogatório. A fala ocorreu enquanto Antônio relatava detalhes sobre a motivação e a execução do assassinato de Zampieri, morto a tiros em dezembro de 2023, no bairro Bosque da Saúde, na Capital.

Durante o depoimento, o acusado afirmou que estudou a região onde ficava o escritório do advogado e chegou a cogitar cometer o crime dentro do estabelecimento. Segundo ele, mudou de ideia ao perceber que havia uma unidade da Polícia Militar a aproximadamente 300 metros do local.

Antônio contou que se posicionou próximo a uma clínica vizinha para observar o movimento sem ser percebido. No local, uma funcionária teria alertado que aquela era uma região perigosa. O acusado relatou ter ironizado a situação: “Mal sabia ela que eu era o perigo”.

O pedreiro disse ainda que chegou a pensar em desistir da execução ao perceber a presença de José Marcos Marini, amigo de Zampieri. Conforme o relato, Marini deixou o local pouco antes dos disparos, permitindo que Antônio prosseguisse com o ataque. Depois de matar o advogado, ele afirmou ter tido a sensação de “missão cumprida”.

O réu também relatou a fuga após o homicídio. Segundo Antônio, ele seguiu rapidamente para a rodoviária de Cuiabá, comprou uma passagem e embarcou para Belo Horizonte (MG). Durante a viagem, o ônibus teria sido parado em uma blitz da Polícia Rodoviária Federal.

Ele afirmou que os agentes perguntaram sobre o motivo da viagem a Mato Grosso e quanto tempo havia permanecido no Estado. Apesar da abordagem, Antônio disse que acabou liberado e conseguiu seguir viagem.

Durante o interrogatório, o acusado negou que tenha recebido pagamento para executar Zampieri. Segundo ele, teria solicitado apenas dinheiro para custear a viagem e a permanência em Cuiabá, estimando que não gastaria mais de R$ 30 mil.

Antônio também negou que a caixa que carregava no dia do crime tivesse sido utilizada para abafar o som dos disparos. Ele afirmou que levava o objeto como se fosse transportar presentes de Natal e que, por possuir experiência com armas, sabia que a caixa não impediria o barulho dos tiros.

Sobre a suposta existência de um mandante, o pedreiro afirmou que não recebeu uma ordem direta para matar Zampieri e sustentou que não houve mandante. Ele mencionou ter recebido um áudio de visualização única de uma pessoa com “sotaque italiano”, que teria dito ser necessário agir rapidamente porque alguém havia perdido uma fazenda e estaria prestes a perder outra.

Apesar disso, Antônio admitiu que encontrou Hedilerson Fialho Martins Barbosa e seguiu com ele até o escritório de Zampieri. Durante o depoimento, não detalhou como conseguiu a arma usada na execução.

O réu também acusou o delegado Edilson Ricardo Pick de praticar tortura psicológica durante a investigação. Segundo Antônio, o policial teria feito pressão envolvendo seus filhos para que ele apontasse outros supostos envolvidos no crime.

De acordo com a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), porém, o homicídio teria sido cometido por uma organização criminosa. Hedilerson é acusado de participação no plano e de fornecer a arma utilizada no assassinato, enquanto Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas é apontado como integrante da organização.

A acusação sustenta ainda que o crime teria sido contratado pelo fazendeiro e empresário Aníbal Manoel Laurindo e pela esposa, Elenice Ballarotti Laurindo, em razão de uma disputa patrimonial envolvendo uma fazenda avaliada em cerca de R$ 100 milhões.

O julgamento é presidido pelo juiz José Mauro Nagib Jorge, titular da 11ª Vara Criminal, Justiça Militar e Tribunal do Júri de Cuiabá. Nesta etapa, os réus são interrogados após as partes desistirem da oitiva de testemunhas.


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