- CUIABÁ
- QUINTA-FEIRA, 29 , OUTUBRO 2026
O médico de Barra do Garças (a 516 km de Cuiabá), Luiz Morato, conhecido nacionalmente pela mobilização para recuperar o macaco-prego Guerreiro, anunciou que não pretende mais distribuir cestas básicas a famílias em situação de vulnerabilidade. Em um vídeo publicado nas redes sociais após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ele afirmou que pretende deixar de assumir responsabilidades que, na avaliação dele, deveriam ser cobradas dos governantes.
“Se mais da metade do Brasil e mais uma parcela considerável escolheu esse cara, não é isso que vocês acreditam? Então, cara, ele tem apoio pra cacete. Vamos fazer assim? A direita apoia a direita. A esquerda apoia a esquerda”, declarou.
A publicação ocorre em meio a uma onda de ataques a eleitores de Lula nas redes sociais e em ambientes de trabalho, com relatos de boicotes a estabelecimentos e ameaças de demissão por posicionamento político no Estado.
Morato criticou o que considera uma transferência de responsabilidades do poder público para pessoas que ajudam financeiramente quem precisa. Segundo ele, a distribuição de alimentos ameniza a fome momentaneamente, mas não resolve problemas estruturais, como a falta de emprego e de oportunidades.
“Cesta básica mata a fome de hoje, mas quem é que vai garantir o emprego desse cidadão amanhã?”, questionou.
Na eleição de domingo (25), Lula foi reeleito com 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro (PL) recebeu 59.826.041 votos, ou 48,21%, segundo dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em Mato Grosso, o resultado foi diferente do nacional. Flávio Bolsonaro venceu com 1.351.099 votos (66,06%), enquanto Lula recebeu 694.167 votos (33,94%).
Ao comentar o resultado, Morato afirmou que pretende interromper uma prática que mantinha com a família: colocar cestas básicas no carro e distribuí-las a pessoas necessitadas, principalmente no fim do ano.
“Eu, por exemplo, cara, acabou com a história de encher carro de cesta básica, sair distribuindo por aí. Principalmente no fim do ano, cara, acabou. Eu falei pra minha família, parem com isso”, disse.
O médico também ressaltou que quem ajuda outras pessoas tem despesas e objetivos próprios, e não pode ser responsabilizado por resolver todos os problemas sociais.
“Quem ajuda também tem família, tem contas, tem sonhos, compromissos. E tem direito de aproveitar o fruto do próprio trabalho. A festa acaba até pra quem é dono dela”, afirmou.
No encerramento do desabafo, Morato disse que pretende cobrar dos governantes as responsabilidades que, segundo ele, não devem ficar nas mãos de cidadãos que ajudam voluntariamente.
“Uma hora, meu brother, o dinheiro acaba, a paciência acaba, a disposição acaba, e daqui pra frente, cara, eu quero que cada um cobre de quem realmente tem a obrigação de fazer alguma coisa”, declarou.
“Porque da minha parte, não vai vir mais porra nenhuma. Aquela obrigação que inventaram que eu tenho que resolver tudo, cara, essa eu estou devolvendo pro remetente”, completou.
Médico ficou conhecido após mobilização por macaco-prego
Luiz Morato ganhou projeção nacional após mobilizar apoiadores para recuperar o macaco-prego Guerreiro, que havia sido retirado da família pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em maio de 2025.
O animal, que tem uma das patas amputadas, era cuidado pela família desde filhote. Após mais de um ano de disputa judicial, a 6ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) decidiu, por unanimidade, em junho de 2026, pela devolução de Guerreiro à família, considerando as dificuldades de reintrodução do macaco à natureza.
Veja vídeo: